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Dirigentes reclamam e saem em defesa do modelo atual de gestão

Cartolas que estão há anos no poder são contra a medida provisória e questionam critérios de avaliação dos mandatos

GONÇALO JUNIOR, SÍLVIO BARSETTI E TIAGO ROGERO, O Estado de S. Paulo

19 de setembro de 2013 | 07h31

SÃO PAULO - A proposta de limitação dos mandatos dos dirigentes esportivos faz estremecer um modelo enraizado na administração esportiva brasileira. Oito federações continuam com o mesmo administrador nos últimos dez anos (Desportos Aquáticos, Handebol, Canoagem, Tênis de Mesa, Tiro com Arco, Triatlo, Judô e Pentatlo Moderno).

Em algumas entidades, dirigentes estão no poder há mais de duas décadas, caso de Alaor Azevedo, do tênis de mesa. Esses líderes obviamente defendem o modelo atual. João Tomasini Schwertner dirige a canoagem brasileira há 24 anos, mesmo período em que Manoel Luiz Oliveira comanda a Confederação de Handebol.

Coaracy Nunes Filho, presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos desde 1988, é contra a limitação do mandato. "As confederações perdem com isso. Um presidente sério, com longo tempo no cargo, pode realmente criar condições para colocar cidadãos brasileiros em cargos no exterior, árbitros internacionais, tudo depende muito do prestígio do homem que dirige a confederação. Acho que oito anos é muito pouco tempo se a administração tem êxito, como a minha. Quando cheguei aqui, a entidade não valia absolutamente nada", defende-se o dirigente, questionando os critérios de medição de uma boa administração. "Como calcular se uma gestão é boa? Pelo número de medalhas?".

Carlos Arthur Nuzman, que dirige o Comitê Olímpico Brasileiro desde 1995, afirmou, por meio de sua assessoria, que só vai se manifestar depois que a nova lei for publicada. No final do ano passado, ele iniciou seu quinto mandato.

Francisco Noveletto Neto, presidente da Federação Gaúcha de Futebol há nove anos, com o terceiro mandato até 2015, afirma que é favorável à limitação de mandato, mas com ressalvas. "Se vale para a política, com governador e prefeito, temos de ser mais ou menos iguais. Se quiserem que eu saia depois de oito anos, ok. Para os bons, o futebol perde. Mas a contrapartida é se houver alguém ruim no poder. Ainda haverá muita discussão", disse Francisco Noveletto Neto, que não pretende concorrer a um novo mandato e pode ser candidato à presidência da CBF na eleição de abril do ano que vem.

Um argumento favorável aos "longevos" é o contexto internacional. Lá fora também é assim. A Fina, correspondente da CBDA, foi dirigida por muitos anos por Mustapha Larfaoui, da Argélia. Os exemplos estão presentes até no futebol. Ángel María Villar é presidente da Real Federação Espanhola de Futebol Villar desde 1988. Foi reeleito para o cargo em seis ocasiões

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