Disputa polêmica tem fim emocionante

Competição termina hoje com três times disputando o título, Fluminense, Corinthians e Cruzeiro, em meio a discussões sobre mala branca e entrega de jogos

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2010 | 00h00

O futebol nacional vai conhecer hoje o campeão de 2010. Fluminense, Corinthians e Cruzeiro brigam pelo título de um campeonato polêmico, marcado por alguns erros de arbitragens - algo corriqueiro, mas que sempre leva a discussões, reclamações e choro -, pela discussão sobre a lisura ou não do envio, e do recebimento, da mala branca, e também, nas últimas rodadas, por acusações de entrega de jogos.

As partidas que definem a disputa têm início previsto para as 17 horas. O Fluminense, líder com 68 pontos, é o único que depende apenas de suas próprias forças. Vencendo o rebaixado e ainda por cima desfalcado Guarani, no Engenhão, levanta novamente a taça após 26 anos. Com empate ou derrota, só evita a frustração se ocorrerem improváveis tropeços de seus rivais.

Um tropeço do Flu é com que o Corinthians, vice-líder com 67, conta para ser campeão pela 5.ª vez. E terá, claro, de fazer a sua parte no Serra Dourada contra o igualmente rebaixado Goiás, que deve mandar a campo um time recheado de jogadores recém-saídos das categorias de base. A tarefa de vencer em Goiânia parece bem mais fácil do que a de torcer por tragédia no Engenhão.

O Cruzeiro tem 66 pontos e também enfrenta um time de reservas, os do Palmeiras, em Sete Lagoas. Mas, para ser campeão, tem de vencer e rezar para que Fluminense e Corinthians não ganhem seus confrontos.

Desde a introdução do sistema de pontos corridos, em 2003, é a quinta vez que o Brasileiro será decidido na última rodada. Garantia de emoção. Mesmo assim, já há quem comece a agitar a bandeira da mudança no regulamento. Tudo por conta das suspeitas de "entrega"" de jogo de um time para prejudicar o rival. São Paulo e Palmeiras são acusados de colaborar com o Flu para dificultar a vida do Corinthians. Entre os cariocas, a chiadeira é de que o Vasco não se esforçou contra o Corinthians para não facilitar a caminhada Tricolor.

O que muitos parecem ter esquecido é que, antes das rodadas dos dois últimos finais de semana, a discussão era sobre outro tipo de "entrega"", esta do tipo "toma que a taça é sua"". Era mais ou menos o que se comentava a cada vacilo (e foram vários) de Fluminense ou Corinthians, pois o tropeço de um possibilitava ao outro encostar ou até tomar a ponta na classificação.

As duas equipes sofreram de um mal de certa forma comum a todas as outras: as contusões. Médicos, técnicos e atletas culpam a interrupção da disputa no período da Copa do Mundo pelo alarmante número lesões.

Seja como for, o fato é que Muricy Ramalho apenas uma vez pôde contar com seu quarteto preferido (Conca, que conseguiu a incrível façanha de jogar 37 partidas sem se machucar ou ser suspenso, Deco, Fred e Emerson), mas manteve seu time na luta, aos trancos e barrancos. O Corinthians também teve problemas, mas reagiu a partir da chegada do técnico Tite - reorganizou a equipe -, mas principalmente quando Ronaldo entrou em campo. O Cruzeiro penou um pouco menos c0m contusões, mas após início claudicante cresceu de vez quando passou a contar com o argentino Montillo.

Fluminense, Corinthians e Cruzeiro, foram, ao longo da competição, mais regulares e apresentaram o melhor futebol. Hoje, porém, apenas uma torcida vai sorrir. Às outras, caberá o lamento como consolo.

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