Clayton de Souza|Estadão
Clayton de Souza|Estadão

Divulgar a Jamaica, a nova meta de Usain Bolt

Próximo de se aposentar das pistas, astro do esporte pretende se tornar embaixador da imagem de seu país

Gonçalo Junior e Nathalia Garcia, enviados especiais ao Rio, O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2016 | 00h27

Um beijo na linha de chegada do Engenhão selou a despedida de Usain Bolt dos Jogos Olímpicos. Fora de Tóquio-2020, o astro do atletismo planeja reforçar sua imagem como embaixador da Jamaica e, com isso, potencializar o desenvolvimento da ilha nos próximos anos.

“Eu tento corresponder às necessidades do meu país, sempre tento colocá-lo no topo e fazer o melhor que posso. Eu levei muitos turistas para meu país, muitos empregos. Eu fiz o máximo possível e continuarei fazendo após a aposentadoria. Eu continuarei levantando meu país”, garante.

O seu legado no atletismo jamaicano é inquestionável: todo garoto quer seguir os passos de Usain Bolt. Segundo Anthony Davis, diretor do Departamento de Esportes na Universidade de Tecnologia da Jamaica (Utech, Ja), os treinadores têm até dificuldade para convencer os jovens a se arriscarem em outras provas. Mas a influência de Bolt não se restringe às pistas.

Ao desembarcar no aeroporto de Kingston, os turistas têm seu primeiro contato com a imagem do velocista, estampada em um painel ao lado da porta de entrada ao país. A fama do homem mais rápido do mundo leva aproximadamente 2 mil clientes por mês a seu restaurante, o Usain Bolt’s Tracks & Records.

Bolt também não esquece as suas origens, é um “talismã” para o colégio William Knibb Memorial. Além do tradicional bate-papo com os alunos, ajuda com recursos materiais. Doou um ônibus escolar e exigiu uma cláusula em no contrato com a fornecedora de material esportivo exigindo a doação de uniformes para a equipe de atletismo da escola todo ano.

Bolt não é o primeiro herói olímpico a se tornar a cara de uma nação. Nadia Comaneci, maior ginasta de todos os tempos, impulsionou a Romênia a conquistar medalhas. A cidade de Onesti, onde começou a carreira, está entre as atrações turísticas no interior do país. Na década de 1990, as cubanas Regla Bell e Mireya Luiz foram a face vencedora do vôlei da ilha. A dupla conquistou o único tricampeonato da história na modalidade (Barcelona-1992, Atlanta-1996 e Sydney- 2000).

O jamaicano quer fazer ainda mais por sua nação à medida que suas aparições nas pistas se tornem mais raras. Ele voltará aos treinamentos apenas em novembro, e a agenda do primeiro semestre ainda não está fechada. Presença certa mesmo só no Mundial de Atletismo de Londres, em agosto de 2017.

Depois de obter o triplo tricampeonato olímpico, Bolt foi sábado ao Maracanã para a final do futebol masculino. Não viu a disputa de pênaltis para chegar a tempo de receber a última medalha. E a virada da noite foi agitada. O astro celebrou o aniversário de 30 anos no último domingo em uma casa noturna. Com a missão cumprida, Bolt se despede do Rio rumo à Inglaterra, primeira parada das merecidas férias.

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