Pablo Jimenez/ISA/Divulgação
Pablo Jimenez/ISA/Divulgação

Do aeroporto para o mar, Italo Ferreira ganha bateria com prancha emprestada

Surfista supera obstáculos na viagem e problemas com passaporte para vencer disputa no Japão

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

10 de setembro de 2019 | 12h45

O brasileiro Italo Ferreira viveu uma das maiores emoções de sua vida nesta terça-feira na disputa do Isa Games. O surfista teve uma série de problemas para chegar ao Japão e desembarcou em Miyazaki em cima da hora. Então ele foi direto do aeroporto para a praia, chegou quando sua bateria já estava no final, mas conseguiu avançar.

"Do aeroporto direto para a bateria. Uma das coisas mais loucas que já fiz", escreveu o Ítalo Ferreira em suas redes sociais. Logo que chegou na areia da praia, Filipe Toledo já estava esperando por ele com uma prancha na mão. Emprestou para o amigo, que entrou no mar com uma bermuda de pano grosso, com bolsos, algo impensável no esporte de alto rendimento.

Italo teve muita dificuldade para chegar ao Japão porque teve seu passaporte com todos os vistos furtado nos Estados Unidos. Mas ele correu atrás de toda a documentação necessária e conseguiu chegar em cima da hora no torneio. E contou com a ajuda dos brasileiros para não perder a viagem.

Em post no Instagram, o surfista contou mais detalhes do que aconteceu. "Você pode transformar essa história em algo positivo pra sua vida", comentou Ítalo no post. Leia o relato completo abaixo. 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

(Continuação nos comentários) Se você tiver um minuto, leia o texto abaixo e reflita comigo sobre tudo o que aconteceu nos últimos dias. Você pode transformar essa história em algo positivo pra sua vida. Fui roubado 4 dias atrás, nos Estados Unidos. Na minha mochila, que eles levaram, tinha alguns pertences pessoais e o documento mais importante para uma pessoa que está viajando e nem sabe falar perfeitamente a língua local: o passaporte. Este era eu. Sem saber pra onde ir, sendo que no mesmo dia eu tinha um voo marcado para o Japão para competir em um evento mundial essencial na busca por uma vaga nas olimpíadas de 2020, em Tokyo. No dia seguinte ao roubo, tive ajuda de algumas pessoas do Brasil, Estados Unidos e até mesmo do Japão. Tentaram me ajudar com um passaporte novo, um visto japonês e o mais difícil: o visto americano. Todas as informações diziam que o melhor era eu sair dos Estados Unidos para refazer tudo (marcar horário, agendar entrevista, etc) no consulado americano. Então saí dos Estados Unidos no dia 08 de setembro e embarquei para Tokyo, com entrevista marcada para o dia seguinte, 09. Parecia tudo normal, mas MEU VOO ATRASOU POR CAUSA DE UM FURACÃO - inclusive, fiquei 18 horas dentro do avião. Ou seja, eu não teria como chegar a tempo para a entrevista no consulado no Japão. Então remarquei para as 8:30 do dia 10 de setembro, primeiro dia da competição, sem ter certeza de que o visto seria aprovado. Eu estava confiante e feliz, mesmo depois de tudo, só por ter chegado até o Japão. O visto foi aprovado, deixei meu passporte no consulado americano e comecei mais uma missão. Fui correndo para o Aeroporto de Tókio em busca do primeiro voo para a cidade onde eu iria competir. Minha bateria era a 6ª do Round 1, mas o evento atrasou 1 hora e isso me deu uma pequena chance de chegar a “tempo”. Quando pousei no aeroporto, saí correndo: larguei as malas e fui direto para o carro do comitê brasileiro que estava a minha espera. Minha bateria já tinha começado e demoramos 10 minutos do aeroporto até a praia. CONTINUA NOS COMENTÁRIOS!

Uma publicação compartilhada por Italo Ferreira (@italoferreira) em

Filipinho já tinha vencido sua bateria na competição, avançando para a segunda fase. E Italo entrou correndo na água com sua bateria faltando 8 minutos para acabar. Mas foi suficiente para ele pegar boas ondas e ganhar a sexta bateria do masculino com 13,46 pontos, à frente de Leandro Usuña, da Argentina (12,60), do mexicano Dylan Southworth (11,34) e do norueguês Frode Goa (3,13).

Foram disputadas 28 baterias da primeira fase e os principais atletas avançaram. Destaque para o veterano e 11 vezes campeão mundial Kelly Slater, que ganhou sua bateria também marcando 11,77 pontos. A participação no evento serve para garantir que um surfista seja elegível para os Jogos de Tóquio. Slater já avisou que sonha disputar a Olimpíada em 2020.

FEMININO

A disputa das mulheres terminou no Japão e a campeã acabou sendo a peruana Sofia Mulanovich, de 36 anos, que foi campeã mundial de surfe em 2004. Ela superou a brasileira Silvana Lima, que fez uma competição muito boa e foi prata, para ficar com o ouro. Bianca Buitendag, da África do Sul, foi bronze, enquanto Carissa Moore (EUA) ficou na quarta posição.

Quem também chegou longe no evento foi a brasileira Tatiana Weston-Webb, que caiu apenas na sexta fase e, na repescagem, não conseguiu ficar entre as duas mais bem colocadas e perdeu a chance de disputar a final no Isa Games. O Comitê Olímpico do Brasil (COB) está com representantes em Miyazaki para ajudar os brasileiros no local.

 

Tudo o que sabemos sobre:
surfeÍtalo Ferreira

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.