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Do Rio ao Everest: laboratório simula condições para atletas

Laboratório de Performance em Ambiente Simulado fica no RS

Gustavo Zucchi - ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

22 de junho de 2016 | 10h00

Santa Maria, no Rio Grande do Sul, pode ser em breve parada obrigatória para os atletas de elite brasileiros. Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) foi criado, no fim de 2015, o Laboratório de Performance em Ambiente Simulado, um projeto de pesquisadores locais que permite simular as mais diversas condições climáticas e de altitude. Dentro da câmara, você pode ir em questão de segundos do nível do mar a 9 mil metros de altura (mais alto que o Monte Everest, com  8.848 metros) e ir de temperaturas de  -40ºC a 50ºC, além de alterações da umidade (de 14% a 90%).

O laboratório foi criado por meio de uma parceria do Ministério do Esporte com a UFSM, com investimento total de R$ 1,2 milhão. Ele já está em uso. Atletas como Clemilda Fernandes, do ciclismo, além das equipes de triatlo e atletismo do Brasil já utilizaram o espaço na preparação para o Rio-2016. A estrutura de última geração, equipada com aparelhos importados da Inglaterra, funciona retirando ou injetando maior quantidade de oxigênio no ambiente, fato que simula a situação de altitude. Os mesmos aparelhos, auxiliados por ventiladores, alteram a umidade. Já mecanismos com serpentinas aumentam ou diminuem a temperatura.

"O objetivo do simulado de temperatura e de altitude é para a gente adaptar os atletas às diversas situações que ele pode ser exposto. Ele vai ser exposto a uma temperatura elevada, por exemplo, e vai ter de treinar em condições onde essa realidade ocorre. A gente pode antecipar diagnóstico e fazer a adaptação", explica o coordenador do laboratório, Professor Luiz Osório Portela.

Assim, basta o atleta levar o equipamento ergométrico (como bicicletas e esteiras, que simulam o exercício em pista) para dentro dos 36 metros quadrados da câmara e treinar, sendo avaliado por seus treinadores e fisiologistas. Com isso, o Brasil caminha para um terreno de pesquisa que, segundo Portela, ainda é pouco explorado. "A principal importância é de fato que o Brasil começa a estudar esse tipo de efeito, esse tipo de comportamento que ocorre perante essa exposição. Somos campeões mundiais na utilização de conhecimento pronto. Isso significa que não sabemos o que estamos consumindo", critica. "O treinador e o cientista brasileiros poderão experimentar e ver sob quais condições aquilo que fazem é correto, como acontece em qualquer ciência. O Brasil se torna independente".

PREPARAÇÃO

O laboratório fez partes dos investimentos do Ministério do Esporte conhecido como Rede Nacional de Treinamento. Qualquer atleta pode utilizar o espaço, precisando apenas entrar em contato com a UFSM. Com o investimento, o Brasil conseguiu se igualar a outros países que utilizam o mesmo tipo de tecnologia. "Hoje já existem laboratórios em outros países, como Inglaterra e Alemanha. Você encontra até dentro do futebol. Clubes como o Bayer Leverkusen já construíram espaços semelhantes dentro dos centros de treinamentos", conta Osorio. "O importante do investimento é que é dentro de uma universidade pública. Não é um investimento exclusivo para os atletas. Incentiva a formação das pessoas", completa.

Além da câmara, a UFSM possui no laboratório também uma esteira de alta performance, que atinge até 70 km/h e pode ser utilizada por ciclistas, corredores e até mesmo cadeirantes, e simular o trajeto de uma prova de rua, com descidas e subidas.

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