Doda desiste de disputar seletiva do hipismo para o Pan

O cavaleiro Álvaro Affonso de Miranda Neto, o Doda, não disputará as seletivas para os Jogos Pan-Americanos do Rio. Doda, que vive e treina em Bruxelas, na Bélgica, disse que a viagem - que teria de ser paga pelos cavaleiros, inclusive o transporte dos cavalos - para o Brasil comprometeria a preparação dos animais, prejudicaria seu calendário e não garantiria a montagem da equipe mais forte."O critério excluiu os cavaleiros brasileiros residentes na Europa, ou os ?europeus?, como o Vítor (Alves Teixeira) prefere chamar. Fomos excluídos." Doda defende que pelo menos mais uma das cinco vagas na equipe seja garantida, pelo critério de observação, aos cavaleiros que estão na Europa.Como o campeão olímpico Rodrigo Pessoa e Bernardo Rezende já estão pré-convocados como top 20 do ranking, o critério da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) de formar o restante do time (dois titulares e um reserva) a partir de duas seletivas no Brasil) excluiria três cavaleiros que estão na Europa: Doda, Pedro Veniss e Cássio Rivetti. "O Cássio trabalha, monta (prepara) vários cavalos. Como poderia largar tudo? Disse que não irá", observa Doda."O que a gente ganha se for ao Brasil com o cavalo principal, pagando todos as despesas? O animal ficaria um mês, voltaria e depois iria novamente para o Pan? Interrompe a preparação do cavalo, perde concursos, muda o animal de clima, de alimentação. Essa decisão não foi tomada para formar a equipe mais forte."Doda, de 34 anos, disse que perderia duas etapas do Global Champions Tour, circuito de provas de alta premiação que terá uma etapa no Brasil no início de agosto, logo depois do Pan, além de outros concursos nos quais já está inscrito. "Não posso chegar lá e dizer desisti." Doda acreditou que o critério das observatórias, que vem sendo usado há alguns anos, fosse mantido para o Pan."O Manfredi (Maurício, presidente da CBH) esteve aqui, conversou com o Neco (o cavaleiro Nelson Pessoa, pai de Rodrigo e técnico) e depois se reuniu numa fazenda, no Brasil, com cavaleiros que moram no País e fomos excluídos. Acho que foi pressionado." Manfredi teria cedido à convicção do vice-presidente Roberto Souza Leão de que é melhor fazer as seletivas no Brasil. "Foi uma decisão para beneficiar alguns proprietários e cavaleiros", opina Doda.

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