Dois atletas, duas chances de medalha

No tae kwon do, Brasil tem oportunidade de conseguir lugar no pódio com Diogo Silva e Natália Falavigna

AMANDA ROMANELLI, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2011 | 03h09

Desafiando potências asiáticas - especialmente a Coreia do Sul, nação na qual foi criado o tae kwon do - e do próprio continente americano (como Estados Unidos, México e República Dominicana), o Brasil viaja para a Olimpíada de Londres com apenas dois atletas, mas ambos com chances reais de aparecer no pódio da disputada modalidade.

Natália Falavigna, da categoria +67 kg, tem a única medalha olímpica do País no esporte - ela conquistou o bronze em Pequim/2008. Diogo Silva (-68 kg), que disputou os Jogos de Atenas, em 2004, está de volta à competição, depois de não conseguir a classificação para a Olimpíada disputada há quase quatro anos.

A confiança por bons resultados da enxuta equipe brasileira vem dos próprios atletas.

"Creio que este ciclo olímpico foi o melhor da minha carreira", diz Diogo, de 29 anos. "Além da experiência que eu ganhei nos últimos quatro anos, subi o meu patamar de competição. Antes, meu nível era continental. Agora, minhas conquistas estão em nível mundial."

Foi no competitivo Pré-Olímpico Mundial, disputado no Azerbaijão, em julho, que Diogo conquistou a classificação para Londres. Daquele mês até outubro, figurou entre os três melhores atletas do mundo em sua categoria. "Foi algo que nenhum brasileiro havia alcançado", destaca.

O lutador afirma que toda a sua preparação foi voltada para o Pré-Olímpico Mundial, o que fez com que o Pan de Guadalajara ficasse em segundo plano. "Em 2007, fiz o contrário. Priorizei o Pan do Rio, pelo fato de o torneio ser em casa. Isso acabou me atrapalhando na hora de buscar a vaga olímpica."

Natália Falavigna também está acostumada a aparecer entre as principais competidoras da modalidade. Antes do bronze em Pequim, ela já havia batido na trave em sua estreia nos Jogos. Chegou a Atenas, há quase oito anos, com um título mundial, mas acabou ficando com a 4.ª posição.

A lutadora enfrentou um adversário complicado neste ciclo olímpico: o próprio corpo. Aos 27 anos, Natália sofreu por quase dois anos com problemas no joelho direito, que lhe tiraram de importantes competições desde o ano passado.

Foram duas cirurgias para curar o rompimento do ligamento cruzado anterior - a primeira, em 2010; a outra, no início deste ano.

As intervenções fizeram com que Natália perdesse a seletiva mundial, o Campeonato Mundial e também os Jogos Mundiais Militares, todos realizados nesta temporada.

Na corrida contra o tempo, Natália voltou a treinar pouco antes do Pan de Guadalajara, em outubro. No México, seu retorno às competições não foi feliz: a brasileira perdeu logo em sua primeira luta. Mas, a despeito das críticas, afirmou que seu objetivo maior não estava ali, mas no Pré-Olímpico Continental, que também seria disputado no México, dali a poucas semanas.

E foi na cidade de Querétaro que Natália deu a volta por cima, garantindo sua terceira participação nos Jogos. "O meu retorno foi ótimo, eu não poderia estar mais feliz. Esses desafios apareceram para mostrar que eu tinha muita força." Depois disso, ela ainda teve fôlego para participar do evento-teste em Londres.

Enquanto Diogo aposta em uma preparação totalmente realizada no País (ele treina em São Caetano do Sul, no ABC paulista,), Natália deve passar boa parte de seus dias na pequena Sugar Land, cidade de 85 mil habitantes próximas a Houston (EUA).

É lá que vive Jean Lopez, técnico da seleção principal dos EUA que, agora, também é um dos treinadores de Natália - o americano, aliás, está sendo cotado para assumir a equipe brasileira após Londres. "Para mim, ele é um dos gênios do tae kwon do. Sempre foi meu sonho trabalhar com ele."

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