Dois brasileiros flagrados no doping

A Associação Internacional das Federações de Atletismo (Iaaf) confirmou mais dois casos de doping em atletas brasileiros, após exames realizados nas 10 Milhas Garoto, no dia 1º de setembro, em Vitória (ES). O controle de Luciene Soares de Deus, realizado em Montreal (CAN), constatou a presença da substância proibida norandrosterona. O de Ramiro Nogueira Filho, feito em Paris, identificou a Eritropoetina (EPO).Outro atleta brasileiro que estaria envolvido com o doping é o jogador de basquete Rafael Araújo, o Baby, por uso de nandrolona, um esteróide anabolizante. O caso dele ainda não é oficial, mas a federação da modalidade deve confirmá-lo na segunda-feira.Ramiro Nogueira Filho é o quarto caso de doping por uso da substância proibida eritropoietina (EPO) flagrado por exames antidoping no mundo. "Esse controle começou na Olimpíada de Sydney, em 2000, e só me recordo de três casos confirmados de uso de EPO, três deles nos Jogos de Inverno de Salt Lake City, em 2001. É o primeiro do Brasil e o quarto no mundo", disse o médico Eduardo De Rose. O especialista Eduardo De Rose é membro do Comitê Olímpico Internacional (COI), da Agência Mundial Antidoping (Wada) e o responsável pelos controles antidopings que a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) vem fazendo, em todas as provas de fundo do País este ano, desde a última Corrida de São Silvestre. "Existiam indicações de que estavam vendendo a droga no mercado brasileiro", revelou. A EPO é uma substância sintética (injetável) que estimula a produção de glóbulos vermelhos, aumentando a resistência física.A substância proibida foi detectada no organismo de Ramiro Nogueira Filho em dois exames: na amostra A da urina e no sangue coletado (a Iaaf exige os dois tipos de exame para a detecção da EPO). Eduardo De Rose explicou que como o preço do exame de urina é caro, cerca de US$ 500,00, a CBAt está usando o teste de sangue, a US$ 6,00, para fazer uma triagem. Quando encontra alterações que podem indicar a presença de EPO no sangue manda fazer a análise da urina.No caso de Baby, que joga e treina na Universidade de Brighman Young, de Utah, e foi chamado para integrar a seleção brasileira no Mundial de Indianápolis, o exame foi feito no laboratório de Los Angeles e o caso ainda não está confirmado pela Fiba. Eduardo De Rose afirmou que, desde a Olimpíada de Sydney, não é mais preciso esperar pela análise da amostra B para divulgar o caso. Depende de decisão das federações.

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