Dita Alangkara / AP
Dita Alangkara / AP

Dois dias antes de se reeleger para cargo olímpico, dirigente do Kuwait se demite

Ahmad Al-Fahad Al-Sabah é acusado de participar da criação de vídeos falsos para prejudicar membro do governo do país árabe

Estadão Conteúdo

26 de novembro de 2018 | 14h10

O kuwaitiano Ahmad Al-Fahad Al-Sabah, que há uma semana deixou seu cargo no Comitê Olímpico Internacional (COI) à espera das investigações de seus problemas com a Justiça, anunciou nesta segunda-feira que também deixa suas responsabilidades na Associação dos Comitês Olímpicos Nacionais (ANOC, sigla em inglês), na qual seria reeleito presidente em dois dias.

"Eu respeitosamente informo que, por minha própria iniciativa, decidi temporariamente me afastar do meu papel e responsabilidades na ANOC, com efeitos em 28 de novembro, pela manhã, após ter feito o procedimento necessário relacionado com a assembleia geral em Tóquio", diz Al-Sabah em uma carta ao presidente do Comitê de Ética do COI, Paquerette Girard Zapelli, e que a entidade olímpica tornou pública.

O xeque, como é conhecido entre a família olímpica, é acusado pelo escritório de um promotor suíço de trabalhar com outros quatro cúmplices vídeos falsos para prejudicar os membros do governo do Kuwait, com o qual mantém um longo confronto.

A ANOC realizará sua assembleia geral anual na quarta e quinta-feira em Tóquio, com a renovação de suas posições gerenciais. Al-Sabah foi o único candidato para o cargo de presidente, que ocupa desde que substituiu o mexicano Mario Vázquez Raña em 2012, e que por isso tinha garantida a reeleição.

A opção mais provável é que o organismo permaneça nas mãos, pelo menos provisoriamente, do único aspirante a primeiro presidente, Robin Mitchell, de Fiji, e que as eleições sejam remarcadas.

De acordo com as normas da ANOC, nas suas regras 12.8 e 12.9, o Executivo ou um terço das comissões nacionais, desde que representem pelo menos três continentes, podem forçar a chamada de uma reunião extraordinária no prazo de três meses.

Al-Sabah observa em sua nota que ele tem "plena confiança no sistema jurídico suíço e está confiante de que poderá esclarecer completamente sua situação perante os tribunais", mas a comissão de ética "considera que os fatos julgados, puníveis com dois a cinco anos de prisão, são muito sérios".

Outra função da qual Al-Sabah terá de se demitir será a de presidente da Associação Olímpica da Ásia por causa de diferenças entre o xeque e o governo do Kuwait. O Comitê Olímpico deste país está suspenso pelo COI desde outubro de 2015, não como castigo, mas para evitar interferência política em sua operação.

Al-Sabah já teve de renunciar em 2017 de seus cargos executivos na Fifa depois de ser indiretamente relacionado com Richard Lai, presidente da federação de Guam e que foi suspenso por corrupção após acrescentar que recebera pagamentos irregulares de US$ 950 mil (cerca de R$ 3,7 milhões).

 
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