Dois grandes cariocas acionam sinal de alerta

Na rodada em que todos os clubes do Rio perderam, o Flu ganhou a companhia vascaína na zona do descenso

Hilton Mattos, O Estadao de S.Paulo

16 de setembro de 2008 | 00h00

As principais vítimas da última rodada, bastante lúgubre para os times cariocas, foram Vasco e Fluminense. Desde a noite de domingo a palavra rebaixamento virou um tormento na vida da dupla. O time cruzmaltino, que antes flertava com a Sul-Americana, fez um pit stop na zona da degola após a derrota por 2 a 1, em casa, para o Náutico. O placar em São Januário, aliás, foi o mesmo do tropeço do tricolor das Laranjeiras contra o Santos, na Vila Belmiro. O sinal de alerta está ligado. Vasco e Flu estão, respectivamente, na 17ª e 18ª posições (26 e 25 pontos).Para Roberto Horcades, presidente do Fluminense, os jogadores ainda não digeriram a perda da Libertadores. Nem ele próprio, afirma. Além da saída de importantes jogadores, como Thiago Neves e Cícero, ele aponta a metodologia de trabalho do ex-técnico Renato Gaúcho como uma das causas pela crise atual. "Ele (Renato Gaúcho), no meu entender, pecou ao escalar o time principal na Libertadores e um time misto no Brasileiro. Sou médico e adepto da Lei de Darwin. Então, como pode um time engrenar se esse time não joga?", filosofa Horcades.Indagado, em seguida, se ele, como gestor do futebol do clube tricolor, não teria sua parcela de culpa por permitir a estratégia do ex-treinador, o dirigente respondeu: "Eu permiti. A culpa também é minha, pois a decisão foi em conjunto", minimizou Horcades, num morde e assopra que não escondia a decepção com a reta final do trabalho de Renato.Ainda assim, o presidente do Fluminense avisa que a palavra rebaixamento não faz parte do seu vocabulário. Como o time fará três jogos seguidos no Rio - contra Coritiba, Botafogo e Goiás -, o dirigente aposta na volta por cima jogando diante da sua torcida. "Todos sabiam que o Fluminense sofreria um desmanche, não é verdade? Foi o que aconteceu. Eu até hoje não me conformei. Mas é hora de olhar para a frente. Não quero me desesperar com o rebaixamento. Acredito nos meus jogadores."O discurso de Roberto Dinamite, mandatário do Vasco, é semelhante. Nos tempos em que fuzilava as redes adversárias, o ex-atacante convivia com as primeiras posições. A realidade atual, contudo, é bem diferente. "Mas nem por isso vamos arrancar os cabelos", disse Dinamite, desconfortável ao falar da situação do clube.Questionado se novos reforços virão ao longo da semana - o prazo final para inscrição de jogadores termina dia 19 -, Dinamite explodiu: "Não é assim! Não temos dinheiro. Tá pensando que é fácil contratar? Vamos estar sempre estudando possibilidades, mas não posso prometer contratações porque a situação não nos permite."

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