Dolgopolov, um novo talento entre feras

Estilo bonito e diferente leva tenista ucraniano de 22 anos às quartas de final na primeira vez que disputa o Australian Open

, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2011 | 00h00

MELBOURNE

No meio de nomes consagrados do tênis como Federer, Nadal, Djokovic e Murray há uma bem-vinda novidade nas quartas de final do Australian Open: a sensação ucraniana Alexandr Dolgopolov. O tenista de 22 anos, que tem um estilo de jogo inconfundível - cujos golpes não figuram em nenhuma cartilha -, surpreendeu o número 4 do mundo Robin Soderling, duas vezes finalista de Roland Garros, que vinha em fase excelente (1/6, 6/3, 6/1, 4/6 e 6/2).

Com o feito, Dolgopolov, que não estava nem entre os 100 melhores do mundo há um ano, deverá entrar pela primeira vez na lista dos top 30 da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) - atualmente é o 46.º. Mas ele não se dá por satisfeito. Sonha passar por Andy Murray (que se classificou às quartas ao bater Jurgen Melzer), ir mais longe na primeira vez que disputa a chave principal do Grand Slam australiano e, no futuro, alcançar o primeiro lugar do ranking. "Preciso agora esquecer do jogo com o Soderling e pensar adiante. Já estou fazendo um bom torneio, mas pode ficar melhor."

Dolgopolov tem o tênis no sangue. Seu pai, Oleksandr, chegou a ser profissional e treinou Andrei Medvedev - finalista de Roland Garros em 1999. Alexandr vivia em meio aos profissionais e tem boas lembranças.

"Os que mais lembro são o (Thomas) Muster e o (Marc) Rosset. Eles passavam bastante tempo comigo", conta o ucraniano, que estará no País no início de fevereiro para a disputa do Brasil Open, na Costa do Sauipe. "Conheci basicamente todos os jogadores. Sabe como é, quando há uma criança no circuito, todo mundo quer brincar com ela."

O ucraniano cresceu e tomou a decisão mais difícil da carreira: separar-se do pai e próprio técnico, em 2008, quando a relação dos dois se desgastou devido à convivência no circuito. Passou a treinar com o australiano Jack Reader. "Foi uma escolha sábia. Jack me ensinou a maneira certa de usar as armas do meu jogo", explica. "E me fez dar valor ao lado mental."

A parceria com o australiano - Dolgopolov está desde o início de dezembro no país treinando - foi o suficiente para conquistar a torcida local do Grand Slam, carente de um representante na última semana de torneio. Ao lado de Rafael Nadal - que ontem não teve trabalho para passar por Marin Cilic (6/2, 6/4 e 6/3)e se garantir nas quartas - e Roger Federer, já se tornou o jogador mais requisitado para autógrafos e fotos no Melbourne Park.

O incentivo, aliado ao talento nato do ucraniano, rendeu resultados surpreendentes em sua "nova casa". Dolgo, como é chamado pelos colegas de circuito, bateu Soderling, que era seríssimo candidato ao título, e outro habitual frequentador do top 10, o francês Jo-Wilfried Tsonga, atualmente o 13.º do ranking. "Estou curtindo o tênis. Sinto-me livre para fazer minhas jogadas", diz. Não será surpresa nenhuma se, em algum tempo, aparecerem jovens tentando os slices heterodoxos de forehand do novo queridinho do circuito.

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