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Domingo radical

Nada me tira da cabeça que, ao pegar o jornal de hoje, ainda haverá muito são-paulino com as mãos trêmulas e com friozinho danado no estômago, por raiva e alegria. A ira destina-se a Sandro Meira Ricci, árbitro do jogo de ontem com o Bahia, que anulou um gol de Paulo Miranda, além de expulsar Denilson e Maicon. O contentamento se deve à vitória magra em Salvador, porém comovente, construída à base de suor, garra e apreensão.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2013 | 03h09

O São Paulo teve placar redentor na nova Fonte Nova, onde contou com bom público a favor. O 1 a 0 soou como goleada, dadas as circunstâncias. O sufoco agoniante - ou morfético e lazarento, como a gente falava, na várzea do Bom Retiro - pode transformar-se em símbolo da salvação, um sinal de que todo indício de rebaixamento voou para o espaço.

Resultados como esse são o estimulante de que jogadores, treinadores, roupeiros, seguranças, massagistas, cartolas, torcida precisam para confiar em reviravolta. Até dias atrás, o duende do descenso andava a aprontar para os lados do Morumbi. O pênalti perdido por Rogério Ceni, pouco antes do apito final no clássico com o Corinthians (0 a 0), foi interpretado como mau agouro, presságio de que a luta contra a Série B iria arrastar-se até as rodadas derradeiras do Brasileiro.

Agora, muda o astral - ou pelo menos Muricy Ramalho e pupilos não devem deixar a adrenalina e a confiança caírem. A comemoração deles, assim que Ricci deu a última assoprada no apito, tem de ser gravada e passada em preleções daqui em diante. Os remanescentes no gramado, mais o técnico, passaram para o público a imagem de união em torno de um objetivo, uma ideia: a de evitar maiores humilhações.

Concordo com o amigo que considera pobre, em termos de São Paulo, fazer algazarra, entoar gritos de "Guerreiros, time de guerreiros!", vibrar numa fase chata pra caramba como esta. Equipes com tamanha tradição devem empolgar-se só com conquistas de títulos. Mas, como a temporada é de urucubaca, dá para entender a festa. É de alívio.

Os três pontos, que deixam a equipe mais pra cá do que pra lá, vieram por méritos e a despeito de erros internos e de arbitragem. Ricci anulou gol de Paulo Miranda, ainda no primeiro tempo, sob a alegação de que dividiu de sola com o goleiro Marcelo Lomba. Discordo. O zagueiro chegou antes na bola, o choque ocorreu em seguida e azar do defensor baiano por se atrasar. Prevaleceu o critério, muitas vezes mito, de que não se pode relar no arqueiro em nenhuma hipótese. E não é assim.

A expulsão de Denilson pesou. O volante lascou um pisão em Willian Barbio, quando o São Paulo já estava com a vantagem de 1 a 0, e levou o vermelho. Tomou a punição pelo espalhafato do lance do que por danos provocados no rival. Esse anda estabanado além da conta e acumula expulsões na competição. O time lidera essa estatística.

Muricy optou por recompor a marcação, no momento a grande obsessão. Por isso, tirou Ademilson e colocou Wellington. Com o risco de atrair o Bahia para o ataque no segundo tempo. O perigo, na prática, se apresentou bem menor do que se supunha. Os donos da casa não souberam impor-se e, salvo um ou outro chute, não incomodaram Rogério.

Quando Ricci despachou Maicon por reclamação - e nessa exagerou no autoritarismo -, veio a impressão de que a blitz seria insuportável. O aperto veio, desajeitado, mas deu um susto e tanto. O São Paulo se fechou como tatu-bola e espantou o mal. Na prática, o obstáculo maior foi o árbitro e não os adversários, preocupante para o Bahia, um dos que sentem o perigo da queda.

Muricy equilibrou o sistema defensivo, detalhe que saltou à vista numa tarde fora do comum. O meio-campo tende a acertar-se, com o ressurgimento de Ganso. Ficará prejudicado com suspensão no mínimo automática de Denilson e Maicon. O ataque ressente-se das constantes ausências de Luis Fabiano; é setor irregular. O coração da turma, todavia, está em ordem e bate forte.

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