Donovan opera o milagre americano

Seleção dos EUA garante vaga nas oitavas de final com gol nos acréscimos. Com o 1º lugar no Grupo C, agora enfrenta Gana

Amanda Romanelli, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2010 | 00h00

O cinema hollywoodiano, que adora transpor histórias épicas para as telas, já pode considerar como um pré-roteiro a participação americana na África do Sul.

Uma saga de 90 minutos, com direito a injustiça, drama e, no fim, redenção, marcou a classificação dos EUA para as oitavas de final. O jogo contra a Argélia, ontem, em Pretória, foi definido aos 46 minutos do segundo tempo, quando o meia Landon Donovan fez o gol que garantiu a vitória e a vaga como primeiro colocado do Grupo C.

"Nós estamos escrevendo a história desse esporte nos EUA", disse, eufórico, o técnico Bob Bradley. Agora, a seleção de Gana é a próxima adversária, sábado, em Rustemburgo, às 15h30 (de Brasília).

Antes que o astro do Los Angeles Galaxy balançasse a rede, porém, os americanos amargavam decepção semelhante à de 2006, quando terminaram em um modesto 25.º lugar. Na Copa da Alemanha, a seleção havia sido eliminada na primeira fase, com um ponto somado em três jogos.

A diferença de quatro anos depois estava na maneira como a eliminação ocorria. Em primeiro lugar, porque muito mais torcedores ficariam decepcionados com a queda precoce ? afinal, a modalidade tem conquistado cada vez mais fãs a ponto de bater recordes de audiência. E também porque os EUA, vice-campeões da Copa das Confederações, eram combativos. Chegavam ao ataque constantemente e tentavam superar a anulação incorreta de um gol de Dempsey aos 20 minutos da etapa inicial. Os erros de arbitragem, aliás, marcaram a passagem americana ? outro gol mal anulado já evitara uma vitória na 2.ª rodada.

O drama americano se desenrolava enquanto a Eslovênia perdia por 1 a 0 para a Inglaterra em Port Elizabeth. O resultado era cômodo para ambos, que se classificavam às oitavas. Os EUA, contudo, não sucumbiam. Aos 11 do segundo tempo, ainda acertaram uma bola na trave, com Dempsey, e viam o goleiro Bolhi fazer defesas importantes.

Mas os minutos, implacáveis, corriam. O jogo em Port Elizabeth, que havia começado um pouco antes, já terminara e ambos os times comemoravam. O goleiro Howard armou, então, o contra-ataque daquela que poderia ser a última oportunidade de chegar ao gol adversário. Altidore, veloz, conduziu a bola e arrematou contra Bolhi. O goleiro rebateu e Donovan, bem posicionado, finalizou. Em êxtase, correu para a bandeira de escanteio. No chão, foi "soterrado" pelos colegas, que se jogavam em cima do herói.

"Foi bom ter sido tão rápido. Nem tive tempo de pensar no que fazer. Estar no lugar certo e empurrar a bola para o gol foi natural." Eis a explicação, simples, de um gol que mudou a história americana na Copa, dada pelo meia de 28 anos e que disputa seu 3.º Mundial. / COM AGÊNCIAS

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