Doping pode ser ocultado, diz dirigente

Em menos de uma semana, o vôlei brasileiro foi abalado pela divulgação de dois casos de doping: Estefânia de Souza, por maconha, e Fabiano da Silva Neto (do vôlei de praia), por anabolizante. Isso colocou em dúvida a credibilidade da Confederação Brasileira em relação ao modo como trata o assunto, principalmente porque o caso da jogadora do Rexona foi acobertado. Nesta terça-feira, em entrevista à Agência Estado, o presidente da CBV, Ary Graça, admitiu que concorda em manter essas situações em segredo."Acho um absurdo a execração pública de um atleta. Não se resolve as coisas apedrejando as pessoas", disse Ary, que, até então, só havia se pronunciado através de comunicado oficial. "O importante é falar que a CBV não escondeu nada, a gente não tinha obrigação de divulgar. O que houve (no caso da Estefânia) tem a ver com a Federação Carioca, não posso intervir. Não quero ser ditador. O caso do rapaz (Fabiano) já foi julgado. O assunto está esgotado."O dirigente nega que a imagem do vôlei esteja arranhada depois dos casos de doping não divulgados. "Estamos mais fortes que nunca. Somos campeões de tudo. Esses casos foram erros. Somos humanos. Acontece em todo esporte, infelizmente", admitiu.Quando questionado se a pena no vôlei brasileiro é muito branda, Ary Graça preferiu não comentar. "Eu não acho nada. Cumprimos a lei que o Tribunal (de Justiça Desportiva) estipula. Essa de considerar que devemos julgar o vôlei como o atletismo é julgado lá fora é brincadeira. Se estamos no Brasil, devemos usar nossos critérios", defendeu. Os dois jogadores flagrados tiveram as penas reduzidas para um terço do tempo por prestarem serviços sociais: Fabiano pegou 40 dias e Estefânia, 20. Se fossem do atletismo, poderiam ser suspensos por até dois anos.O presidente do STJD, Luiz Zveiter, já solicitou que a CBV envie relatórios de todos os exames da Superliga desde 2000. Mas Ary rebateu: "Este ano fizemos mais de 100 testes, e apenas um deu positivo. Em cinco anos de Superliga tivemos um caso de um jogador que foi condenado e punido, e outro que fugiu do antidoping. Temos mais de 100 mil inscritos na Confederação, portanto acho que a história é um exagero."

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