Doping pode ter mais envolvidos

Comissão quer ouvir dois atletas para concluir o relatório sobre o escândalo ocorrido antes do Mundial de Berlim

Valéria Zukeran, O Estadao de S.Paulo

12 de setembro de 2009 | 00h00

Existe um "forte indício"de que o número de envolvidos no escândalo de doping no atletismo, divulgado no mês passado, pode crescer. Esta foi a conclusão inicial dos integrantes da comissão de inquérito administrativo da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) depois dos primeiros depoimentos dos envolvidos no caso de uso do Recombinant-EPO Isoforms por cinco integrantes da equipe Rede, divulgado no mês passado.

Segundo o médico Thomaz de Paiva, um dos integrantes da comissão, os atletas José Carlos Moreira e Ana Cláudia Lemos serão convidados a prestar esclarecimentos por terem sido citados. "As pessoas deverão ser chamadas no início da próxima semana e, assim que forem ouvidas, o relatório a ser enviado ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) deve ficar pronto."

Paiva diz que o pior de toda a situação não é o crescimento do número de possíveis implicados no caso, "mas o fato de que a coisa aparentemente foi feita de forma planejada".

O médico diz que o objetivo da comissão agora não é apenas punir os atletas flagrados no exame antidoping, cinco por EPO (Jorge Célio, Bruno Lins, Lucimara Silvestre, Josiane Tito e Luciana França,) e um por Ferpromporex (Lucimar Teodoro). "Queremos achar o fundo do poço, saber de onde as substâncias estão vindo e coibir a atuação dos fornecedores."

A possibilidade de punição de atletas que tiveram exame antidoping negativo existe. "Segundo a Federação Internacional de Atletismo (IAAF), pode haver a punição caso se comprove uso ou tentativa de uso de substância proibida ainda que as análises tenham dado negativo", afirma Paiva.

Por outro lado, segundo o médico, todos os atletas que espontaneamente colaborarem com a investigação terão suas respectivas situações consideradas. É o caso, por exemplo, de Rodrigo Bargas e Evelyn dos Santos, que serão tratados de forma diferenciada. A ausência do fisiologista Pedro Balikian, que não compareceu, foi lamentada. "Ele poderia colocar todas as coisas a limpo."

O técnico Jaime Netto diz que, desde a divulgação do positivo de seus atletas, não conseguiu falar com o fisiologista. Apenas o técnico Inaldo Sena teve sucesso. "Ele pediu para ligar em meia hora, mas depois ninguém mais falou com ele."

O treinador não se surpreendeu com o sumiço do médico, que foi visto algumas vezes em Presidente Prudente, mas sim com sua ausência no depoimento na sindicância aberta pela Universidade Estadual Paulista, anteontem. "Acho que ele está se prejudicando."

Segundo Paiva, Balikian não é obrigado a depor, mas tudo que possa vir a dizer na sindicância da Unesp ou do Conselho Regional de Medicina poderá ser usado como material de apoio na investigação sobre o caso.

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