Dor sem fim

Pior que o rebaixamento é o prolongamento da dor. Dois meses após a queda, a sensação do torcedor palmeirense é de que pouco ou quase nada foi feito. O fracasso pede uma reação imediata e indignada. Mas esse tem sido o maior problema da instituição: movimentar-se lentamente, como se absorvesse cada tropeço na composição de uma nova realidade.

Paulo Calçade,

11 de fevereiro de 2013 | 12h23

A maneira como o Corinthians encarou a queda em 2007 serve de exemplo. A reconstrução começou imediatamente, com a contratação de Mano Menezes e a formação de um time que serviu de base para os anos seguintes. Naquela oportunidade, a diretoria soube até aproveitar a dor para vender milhares de camisetas com uma declaração de amor eterno como símbolo de luta. Criou-se, então, um movimento positivo na fase mais triste da história. Em cinco anos, a mudança corintiana foi radical.

Espera-se o mesmo do Palmeiras. Entretanto, até agora nenhum sinal de esperança foi dado, exceto a eleição de uma diretoria que promete profissionalizar o clube. Se os cartolas foram lentos até para capitalizar o título da Copa do Brasil e o consequente retorno à Libertadores, o que dizer do rebaixamento? O time caiu e por lá ficou na letárgica espera de uma eleição que pudesse restaurar um pouquinho da autoestima.

Reconstruir uma instituição que por muito tempo ficou no marasmo não é fácil. Qualquer um é capaz de contratar por contratar e gastar um dinheiro que não existe.

Em tese, a troca de Barcos por cinco jogadores do Grêmio, além de um acerto financeiro, não é ruim para quem precisa formar um novo elenco sem muitos recursos. Por enquanto, se o negócio for realmente efetivado, vai uma certeza em troca de cinco dúvidas.

A perda de Barcos reforça a terrível sensação de fragilidade de quem tem perdido ultimamente todas as divididas, dentro e fora do campo. De imediato, o principal reflexo está na desesperança da torcida, incrédula, abatida e cansada. Pedir mais paciência ao palmeirense é um exercício de crueldade, o momento recomenda serenidade, é preciso alertá-lo para o que vem por aí: a reconstrução consome mais do que 15 dias. Na melhor das hipóteses, ela não termina nunca.

Diante de tantos problemas, a Libertadores é um compromisso que em nada facilita o processo de reconstrução. Mais difícil e explosivo será encarar os clássicos no Campeonato Paulista. Com a rivalidade testada num dos períodos mais tristes da história, é bom torcer para a turma do Grêmio acertar logo, incluindo Marcelo Moreno, mesmo depois de o pai do jogador definir o Palmeiras como um bando de fracassados.

Paralelamente a tudo isso, a nova diretoria trabalha para gerar novas receitas. Seu principal ativo, a torcida, saberá responder quando a dor diminuir um pouquinho e algo for feito. Por enquanto, o momento é de esperança e promessas. Que o Paulista e a Libertadores não atrapalhem ainda mais a já conturbada vida palmeirense.

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