Robson Fernandjes/AE
Robson Fernandjes/AE

Dorival sai se Neymar não for punido

Técnico do Santos pede suspensão de 15 dias para o atleta pelas ofensas que recebeu dele na quarta-feira

Sanches Filho, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2010 | 00h00

Dorival Júnior deixa o Santos se a diretoria não atender ao seu pedido para suspender o atacante Neymar por 15 dias. O treinador quer que o xodó da torcida fique longe do restante do elenco e que mantenha a forma treinando com os meninos da base. Dorival considerou a multa anunciada pela diretoria (desconto no salário) uma punição leve demais diante da humilhação pública que sofreu no segundo tempo do jogo contra o Atlético-GO, quarta-feira passada, na Vila Belmiro, quando foi xingado pelo garoto. Sem contar a continuação das ofensas nos vestiários, quando Neymar teria até atirado uma garrafa de isotônico na direção do treinador.

A direção santista confirma que Dorival Júnior pode estar mesmo de saída. O vice-presidente Odílio Rodrigues disse ontem à noite que houve uma reunião com o treinador e que até hoje cedo o clube vai tentar convencê-lo a permanecer no cargo e aceitar que Neymar continue no grupo e jogue contra o Guarani, amanhã à tarde, em Campinas. "No momento estamos em tratativas para contornar a situação. Vamos trabalhar para que o desfecho seja o melhor possível. O Santos está tentando resolver da melhor maneira", afirmou Rodrigues. "A diretora entende a situação do treinador pelo que se passou no jogo e já fez o que era de sua responsabilidade, agindo com boa intenção. Agora estamos trabalhando para que Neymar jogue domingo (amanhã) e o Dorival comande o time."

Dorival Júnior ficou reunido com o presidente Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro, com o assessor da presidência, Fernando Silva, o diretor de futebol, Pedro Luís Nunes Conceição, e o gerente Paulo Jamelli durante três horas e saiu sem dar entrevista.

Difícil negar. O clima de crise pôde ser percebido no meio da tarde de ontem. Os jogadores entraram em campo às 15h30 e ficaram sentados atrás do gol do campo número 1 durante quase uma hora, aguardando a presença do treinador. Por volta das 17 horas, o técnico apareceu e permaneceu menos de meia hora no campo. Em seguida, voltou para a parte administrativa do CT.

"Normal o clima não está. Isso demora dois ou três dias para passar", admitiu o capitão Edu Dracena, ontem à tarde, antes que fontes do elenco passassem a informação sobre o que estava ocorrendo internamente. Edu foi um dos alvos do pedido público de desculpas que Neymar fez na quinta-feira, dia seguinte ao jogo contra o Atlético-GO, quando aconteceu toda a polêmica.

Pela programação, Dorival Júnior deveria dar um treino técnico para fazer os ajustes na equipe visando ao jogo contra o Guarani, como sempre acontece na antevéspera das partidas. Ainda com a volta de Arouca e Durval, além de ter que definir o ataque, que perdeu Keirrison, com estiramento muscular, por 10 dias.

Após a coletiva de Edu Dracena, os jornalistas permaneceram aguardando Dorival na sala de entrevista por mais de uma hora, até que o assessor de imprensa do futebol, Fábio Maradei, comunicou que o técnico sentiu uma indisposição estomacal e falaria apenas após o treino marcado para hoje, às 10 horas.

Logo em seguida, o assessor postou em seu Twitter uma mensagem na qual desmentia a saída de Dorival Júnior: "Acabei de falar com o técnico Dorival Júnior em sua sala. Ele está tranquilo apesar dos boatos. Domingo estará no jogo contra o Guarani", comentou o funcionário.

Dorival sentiu que se Neymar não for punido exemplarmente, seu comando ficará enfraquecido e não haverá mais clima para que ele continue à frente do time que organizou e transformou em sensação do primeiro semestre. Em conversas com pessoas próximas, o treinador negou que tivesse recebido proposta para assumir o São Paulo.

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