Dos horrores da guerra ao prazer de ser voluntária

Anne Schleibach ajudou a reconstruir Londres após os bombardeios nazistas e hoje recebe turistas e imprensa para os Jogos

ADRIANA CARRANCA , ENVIADA ESPECIAL / LONDRES, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2012 | 03h10

Um exército de 70 mil britânicos já começou a trabalhar em mais de 800 funções de apoio à Olimpíada de Londres, que tem início no dia 27. É o maior recrutamento de voluntários desde a 2.ª Guerra Mundial. Anne Schleibach nasceu em 1944, um ano antes do fim dos conflitos, no interior da Inglaterra, onde a família se refugiou dos bombardeios da Alemanha que devastaram as grandes cidades inglesas - Londres foi atingida 71 vezes. Grávida, a mãe escondia-se em estações de metrô quando os ataques começavam até decidir deixar a capital, para onde Anne volta agora como voluntária dos Jogos de Londres.

A maioria dos que trabalhará gratuitamente, 7 horas por dia, durante as competições, em atividades como recrutamento e receptivo, tem mais de 60 anos, muitos trabalharam nas décadas seguintes aos bombardeios para reconstruir a cidade no pós-guerra. Eles foram selecionados entre 250 mil inscritos.

Londres sediou outras duas Olimpíadas, em 1908 e 1948, poucos depois dos conflitos e sem a participação dos alemães. Os Jogos aconteceram no estádio de Wembley, o entorno ainda destruído pelos bombardeios. Anne era muito nova para se lembrar. "Se sobrevivi à guerra, por que não contribuir agora?", ela diz, apressada a guiar os primeiros convidados, jornalistas e atletas no desembarque do Aeroporto de Heathrow, onde trabalhou por quase 30 anos como funcionária da estatal British Airways. Os voluntários foram alocados em atividades e locais com que já têm familiaridade.

"É um momento histórico e único na vida", disse John Peck, de 70 anos, responsável pela checagem de credenciados. O trabalho dos voluntários é acompanhado por Monica Urbani, contrata pelo Comitê Olímpico Brasileiro. "Trabalharei com credenciamento na Olimpíada no Brasil e vim a Londres para ver como isso está sendo e o que podemos aprender para 2016", disse.

A simpatia dos voluntários parece ter pego os visitantes de surpresa, mas pelo menos nesta fase preparativa para os Jogos, eles deixaram a conhecida sisudez de lado. Nem o atraso no voo de São Paulo para Londres, com chegada na quarta-feira, tirou o humor de Anne. O motivo teria sido a chuva que parou a capital paulista na tarde anterior. "Se chuva fosse motivo para atraso, você imagina o que seria da pontualidade britânica...", ironizou.

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