Drama de Garrido reabre velhas feridas

A internação do pugilista Fábio Garrido na UTI Geral do Hospital São Paulo, por causa de sequência de golpes recebidos ? dois uppers de direita e um cruzado de esquerda ? mais a batida da cabeça no ringue na queda, provocou nesta segunda-feira discussão sobre os eventos do boxe profissional em São Paulo. Garrido foi nocauteado por Mário Soares, o Marinho, no 9º assalto da luta pelo título brasileiro dos meio-pesados, sábado à noite, no Hotel Unique. A reunião teve como promotor o próprio Marinho, pela empresa Boxe Promotion, com supervisão da Confederação Brasileira de Boxe. O boletim médico do Hospital São Paulo informou nesta segunda-feira que Garrido, de 24 anos, tinha pequena contusão cerebral com sangramento, sem necessidade de intervenção cirúrgica, com inchaço cerebral e pressão intracraniana monitorada. Ele está sedado e respirando com auxílio de aparelhos. O quadro é definido como estável. O presidente da CBBoxe, Luiz Cláudio Boselli, definiu a lesão de Garrido como ?acidente de trabalho?. Entende que o maior problema foi a queda no ringue, ?que não possui tatame como o da confederação. É madeira, feltro e lona. O ringue é o culpado.? Boselli afirmou que a proteção não é obrigatória, mas pensa em mudar o regulamento. O árbitro Antônio Bernardo e o ex-pugilista Servílio de Oliveira, único medalhista olímpico do boxe, acham que o juiz Vanildo Dias de Oliveira poderia ter parado a luta. ?Eu daria o grito ?stop? pulando no meio dos dois. Já no primeiro upper, a cabeça do Garrido foi para trás e a guarda caiu?, disse Bernardo. Servílio de Oliveira acha que o árbitro ? que levou um golpe, de raspão no queixo, quando Marinho acertou o cruzado ?, foi ?muito vaidoso? e estava preocupado com o córner, os câmaras e o público e pouco concentrado na luta. ?Foi uma calamidade.? Acredita que esse tipo de evento apresente outras irregularidades, como na pesagem, por exemplo. Boselli isenta o árbitro de culpa. ?Ele foi até agredido.? Disse que o cachê do juiz é pago pela CBBoxe, embora a bolsa de Garrido tenha sido paga pelo promotor, Marinho, o seu rival no ringue. ?Como poderia haver imparcialidade se o Marinho fosse o patrão do árbitro??, perguntou Boselli. Para o dirigente não é antiético Marinho ser promotor e pugilista. ?Porque a CBBoxe supervisionou. Seria antiético, se o promotor fosse árbitro ou dirigente.?

Agencia Estado,

26 de abril de 2004 | 19h40

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