Drogba diz que derrota é choque de realidade

Atacante afirma que jogo mostrou a distância entre o Brasil e as equipes emergentes e reclama do gol de Luís Fabiano

Almir Leite, enviado especial a Johannesburgo, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2010 | 00h00

Didier Drogba considera que o jogo entre Brasil e Costa do Marfim serviu como um choque de realidade para seu time. O atacante disse que a disparidade técnica e tática entre um grande do futebol mundial e uma equipe emergente ficou clara diante do domínio e da facilidade dos brasileiros em construir a vitória. "O jogo mostrou a diferença entre um time favorito a ganhar a Copa e outro que ainda está trabalhando para avançar.""

O atacante procurou encarar com naturalidade o resultado adverso, mas não disfarçou a irritação ao ser questionado sobre os motivos do péssimo desempenho das seleções africanas até agora. "Ninguém fala que os europeus não estão indo bem. Não é por que a Copa é na África que os africanos vão ganhar de uma hora para outra"", disse, em tom ríspido. "E Gana está indo bem.""

O marfinense estava ao mesmo tempo abatido e conformado com a derrota por 3 a 1, resultado que complica bastante as chances de sua seleção passar às oitavas de final. O objetivo, ontem, era alcançar ao menos um empate para tentar definir a vaga na última partida, contra a Coreia do Norte. Para Drogba, além de o Brasil "ter sido muito superior em campo"", teve uma boa dose de sorte. "É triste constatar que, em quatro ataques, eles fizeram três gols"", disse. "O Brasil vai longe na competição.""

O artilheiro do Chelsea teve atuação discreta ontem. Isolado na maior parte do tempo, perdeu a maioria das disputas com Juan e Lúcio. Mas, na etapa final, quando teve um pouco mais de espaço e companhia, depois que a Costa do Marfim se propôs a ser um pouco mais ofensiva, mostrou seu talento. Teve duas oportunidades, em bobeadas brasileiras: na primeira, cabeceou a bola para fora; na segunda, livre, venceu Julio Cesar.

Drogba admite que pensava que a Costa do Marfim se sairia melhor contra a equipe pentacampeã mundial. Garantiu, porém, encarar a derrota e a iminente desclassificação com naturalidade. "Não estou deprimido, mas desapontado.""

Agora, entende o artilheiro, à seleção marfinense resta torcer para que Portugal não vença hoje a Coreia do Norte por larga margem e depois, na última rodada, que tropece contra a seleção brasileira. "Ficou difícil, mas ainda temos possibilidades. Não considero que estejamos desclassificados.""

A exemplo de seus companheiros, Drogba também questionou o segundo gol de Luís Fabiano. "Ele dominou a bola com a mão e todo mundo viu. O Brasil mereceu, mas o placar de 2 a 1 teria sido mais justo.""

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