Paulo Pinto/AE - 2000
Paulo Pinto/AE - 2000

Duas pratas, dois bronzes e nada do ouro

Título olímpico do futebol ainda não passa de sonho, mas durante décadas País não deu importância aos Jogos

Almir Leite, estadão.com.br

24 de fevereiro de 2012 | 16h41

SÃO PAULO - O Brasil tem apenas duas medalhas de prata e duas de bronze em 11 participações no torneio olímpico masculino de futebol. O ouro tão sonhado hoje ainda não veio por vários motivos: tempos do amadorismo, em que os países da Cortina de Ferro eram imbatíveis; preparação deficiente; derrotas inesperadas em finais e semifinais; e falta de sintonia entre CBF e Comitê Olímpico Brasileiro (COB), em algumas ocasiões no momento de formar a seleção brasileira para os Jogos, estão entre eles.

A primeira participação brasileira foi em Helsinque/1952, com uma equipe que tinha Vavá, Evaristo de Macedo e Zózimo, entre outros. O time começou bem, batendo Holanda (5 a 1) e Luxemburgo (2 a 1). Nas quartas de final, porém, vencia a Alemanha por 2 a 1 até o último minuto, tomou o empate, levou 2 a 0 na prorrogação e voltou para casa.

Nas quatro participações seguintes, o Brasil não passou da primeira fase. Mesmo assim, levou aos Jogos garotos bons de bola como Gerson (Roma/1960) e Falcão (Munique/1972).

Em 1996, em Toronto, a medalha quase veio. Mas uma derrota por 2 a 0 para a então campeã Polônia e outro tropeço, pelo mesmo placar, diante da União Soviética, relegaram o time do goleiro Carlos, do zagueiro Edinho e do lateral-esquerdo Júnior ao quarto lugar.

ENFIM, O PÓDIO

O Brasil não foi a Moscou em 1980, mas quatro anos depois, em Los Angeles, com novo regulamento – passou a ser possível inscrever profissionais, desde que não tivessem participado de Copas –, obteve a primeira medalha. Uma prata muito festejada.

"Entramos para a história do futebol brasileiro. E foi especial também porque ninguém acreditava na gente", conta Gilmar Rinaldi, goleiro daquela seleção.

Ele se refere ao fato de a equipe ter sido reunida em cima da hora. Na época, o Campeonato Brasileiro estava em fase decisiva e os clubes não queriam ceder jogadores. Então, o técnico Jair Picerni telefonou para o presidente do Internacional – que já estava fora do Brasileiro – e pediu a equipe "emprestada."

Assim, a seleção de 1984 foi a base do Inter, com jogadores como Gilmar, Dunga, Mauro Galvão e Milton Cruz, e alguns forasteiros, como o meia Gilmar (Flamengo) e o atacante Chicão (Ponte Preta).

"Nos reunimos 15 dias antes. Fomos treinar no Espírito Santo e todos falavam que iríamos cair na primeira fase. Aquilo mexeu com a gente. Fizemos um pacto de trazer uma medalha", disse Gilmar.

Com muita raça, o Brasil chegou à final, mas perdeu da França por 2 a 0. “Eles mereceram mais o ouro do que nós, porque estavam se preparando havia quatro anos’’, admite Gilmar.

Quatro anos depois, em Seul, com nomes como Taffarel, Jorginho, Bebeto e Romário, derrota por 2 a 1 para a União Soviética na prorrogação e nova prata. Depois, vieram os bronzes. Em 1996, com vexame. A seleção foi eliminada na semifinal pela Nigéria, venceu a disputa do terceiro lugar com Portugal (5 a 0), mas Ronaldo, Rivaldo, Dida e cia. não apareceram na cerimônia de entrega de medalhas.

Quatro anos atrás, em Pequim, outro terceiro lugar. A seleção treinada por Dunga, com Ronaldinho Gaúcho em campo, foi arrasada nas semifinais pela Argentina de Messi. Depois, bateu a Bélgica, mas o terceiro lugar teve gostinho de frustração.

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