Duelo vai ser bom

As chances de um bom resultado da Ferrari em Nurburgring são até maiores do que as que ela tinha em Silverstone, onde venceu. O circuito alemão é bem mais técnico, requer alto nível de pressão aerodinâmica e a Pirelli volta a usar os pneus médios e macios. O pneu duro, escalado para Silverstone, mas que acabou não sendo usado, pois a corrida foi iniciada com pista molhada, para sorte da Ferrari não está selecionado. Mesmo com tudo isso, quem é louco de apostar em duas derrotas seguidas da Red Bull ?

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2011 | 00h00

Até agora, nas nove etapas disputadas, a Red Bull fez todas as pole positions e ganhou seis. Nas três em que acabou derrotada, quem venceu foi Hamilton (McLaren) na terceira prova do campeonato, Button (McLaren) na sétima, e Alonso (Ferrari), na nona. Embora Vettel tenha acumulado vantagem tão tranquila que já pode até correr para acumular pontos, sem pensar em novas vitórias até o final do Mundial, o que faz dele um piloto especial, além do talento, é a vontade de vencer todas. Além disso, sempre que precisar, vai ter a equipe a seu favor, como aconteceu na última volta do GP da Inglaterra, quando a gente ouviu o rádio da equipe dando ordens para Webber manter-se atrás dele.

E a Mercedes? Quando vai se tornar ameaça real? Nurburgring é onde ela mais se sente em casa. Sua sede, em Stuttgart, está a 300 quilômetros do circuito e, por isso, até distribui ingressos para os seus funcionários assistirem à corrida. Foi em Nurburgring, 77 anos atrás, que os primeiros Mercedes de corrida, então conhecidos como Flechas de Prata, estrearam nas pistas. E é o único circuito do mundo com uma curva que tem o nome de um piloto em atividade, que é o heptacampeão Michael Schumacher.

A época dos Flechas de Prata é a do lendário Nordschleife, o primeiro circuito de Nurburgring, com 22,8 quilômetros e 174 curvas, que hospedou o GP da Alemanha até 1976, ano de um dos mais famosos acidentes da F-1, o de Niki Lauda. Além de bater no guardrail, o carro pegou fogo e ainda foi pego no meio da pista por outros carros. Foi salvo por milagre e a intervenção de três pilotos - Arturo Merzario, Guy Edwards e Harald Ertl - que pararam seus carros para socorrê-lo. Na sequência, também pararam Hans Stuck, Emerson Fittipaldi, John Watson, Hans Binder e James Hunt. Os primeiros socorros foram prestados pelos pilotos, já que, pela grande extensão, a ambulância sempre demorava para chegar. Ironicamente Lauda tinha sido muito criticado três anos antes no acidente que matou Roger Williamson em Zandvoort, por ter dito que os pilotos são pagos para correr e não para socorrer outros.

Por causa do acidente de Lauda, Nurburgring ficou oito anos sem a F-1. E só a recebeu de volta em 1984, após reforma radical que deixou o circuito com 4,5 quilômetros. Pequeno demais. Nova reforma e o circuito ganhou um desenho com os atuais 5.148 metros.

Depois de Interlagos, Nurburgring é o circuito de maior altitude em relação ao nível do mar. A consequência é o ar rarefeito, que gera sensível queda de performance no motor. Pela proximidade das florestas de Eifel, as condições climáticas sofrem variações constantes e, portanto, chuva não é exceção. Mas é o tipo de pista que não necessita de chuva para ter uma corrida bem disputada. Nos últimos dez anos, apenas uma vez a chuva caiu pra valer. Como a gente costuma se hospedar numa antiga pensão do Sr. Buhler, que virou um pequeno hotel muito procurado por estar a pouco mais de um quilômetro do circuito, muitas vezes abri a janela do meu quarto e vi chuva fina do lado de fora, mas ao chegar ao autódromo o céu já está aberto e com sol brilhando. Nurburgring é daqueles lugares históricos onde se respira F-1, e onde o passado está sempre presente.

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