Dunga blinda seleção até nas folgas

Jogadores brasileiros evitam a imprensa e têm receio de usar espaço destinado a encontros familiares

Sílvio Barsetti, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2010 | 00h00

Há um espaço reservado no The Fairway Hotel, onde se concentra a delegação brasileira, para que os jogadores possam receber parentes e amigos mais próximos. A área, no entanto, está ociosa. Pelo discurso dos atletas nas entrevistas, fica claro que Dunga não se sente confortável quando sabe, por exemplo, que a mãe, a mulher e o filho de Robinho, hospedados em outro hotel de Johannesburgo, querem passar rapidamente pelo Fairway para dar um beijo e um abraço no craque.

Essa inflexibilidade de Dunga é notada também nos dias de folga dos atletas. A assessoria de imprensa da Confederação Brasileira de Futebol já comunicou a cada um deles que nessas situações não estão proibidos de conversar com os jornalistas. Mas o medo de que Dunga reclame ou chame a atenção dos jogadores leva a alguns constrangimentos.

Na última folga do grupo, abordado por um repórter de rádio na Nelson Mandela Square, centro comercial da cidade, o atacante Grafite se desculpou e disse que não estava autorizado a falar. O goleiro Doni fez o mesmo, enquanto Luís Fabiano preferiu se isolar numa sorveteria, de onde saiu escoltado por policiais e seguranças do shopping.

O supervisor Americo Faria, que trata, entre outras coisas, da logística dos atletas, queixou-se outro dia com funcionários do Randpark Golf Club, ao lado do The Fairway Hotel. É lá que são feitas as entrevistas coletivas, normalmente com dois atletas. Durante a semana passada, Americo se irritou ao perceber que no acesso do térreo do clube até a sala de imprensa, por uma escada restrita, alguns copeiros e outro funcionários do Randpark pediam autógrafos aos jogadores brasileiros.

Essa reclusão é visível entre os auxiliares diretos de Dunga. Os médicos, fisioterapeutas e preparadores físicos da seleção não se aproximam da imprensa em nenhum momento.

Saia-justa. Não foi por acaso que no voo fretado da África do Sul para a Tanzânia, dia 6, as comissárias de bordo, com camisas da seleção em mãos, não sabiam como agir com os atletas. Eles estavam acordados, num local reservado do avião, mas ao qual elas tinham acesso. Queriam pedir autógrafos para os filhos. Tiveram, porém, de falar com um dos seguranças da delegação. Em seguida, negociaram com Jorginho, auxiliar de Dunga. Por fim, chegaram a Americo Faria. Ele só atendeu ao pedido horas depois, de forma discreta.

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