''Dunga dava botinadas, eu me esquivava delas'', diz Maradona

Astro garante que, sob seu comando, a seleção argentina não jogará como o time do Brasil

Ariel Palacios, O Estadao de S.Paulo

30 de outubro de 2008 | 00h00

A seleção argentina está nas mãos de Deus. Literalmente. E em dois sentidos. Por um lado, no meio de intensa polêmica, um setor do país celebra em êxtase a designação do ex-jogador Diego Armando Maradona, também conhecido como "Dio" (Deus), para ser o novo técnico da seleção argentina. Por outro, muitos consideram que só um milagre pode salvar a Argentina da caótica administração do turbulento e imprevisível Maradona. A polêmica em torno dele tomou conta da mídia e das conversas nos cafés portenhos.Novo técnico da seleção argentina, Maradona disse que pretende instituir um estilo de jogo diferente do adotado pelo Brasil do técnico Dunga. O astro argentino também fez uma comparação com o estilo de ambos enquanto eram jogadores. "Se minha equipe vai jogar como a de Dunga? Não, não jogo como Dunga. Ele dava botinadas e eu me esquivava delas", disse. Maradona também afirmou ontem categoricamente: "Vou comandar a seleção! Vou escolher os jogadores!" Maradona vai conversar com ex-integrantes da seleção de 1986, da qual foi a estrela principal, para que integrem a comissão técnica que pretende levar à Copa do Mundo da África do Sul. Ele disse estar "tranqüilo" e que a "seleção argentina conta com um material incrível para que o país sorria novamente ao vê-la jogar".O ex-jogador replicou as análises sobre sua falta de experiência como treinador (leia mais ao lado) e disse que contará com a companhia do ex-técnico da seleção de 1986, Carlos Bilardo, que ostentará o cargo de diretor-geral de futebol. Maradona também retrucou as críticas sobre sua vida particular. "Antes, eu não estava bem. Mas, hoje em dia, a história é outra", disse em entrevista ao Olé, o principal jornal esportivo do país.A oficialização deve ocorrer hoje. A idéia da Associação de Futebol da Argentina (AFA) é homenagear"El Die" (O Dez) com a designação no dia de seu 48º aniversário (hoje). No entanto, ontem, informações extra-oficiais indicavam que, diante da forte rejeição ao nome de Maradona, a AFA atrasaria a decisão para terça-feira da semana que vem. Ser o emblemático jogador de futebol argentino é uma coisa, afirmam os torcedores. Outra, é assumir um posto de alta responsabilidade, como o de técnico da seleção, bicampeã mundial, acrescentam. As pesquisas de opinião pública foram implacáveis. Levantamento realizado pelo jornal Clarín indicou que 73,9% dos argentinos rejeitam a designação de Maradona. O tradicional La Nación, noutra sondagem, mostrou que 72,64% dos torcedores qualificam a decisão da AFA de "errada". Outros 11,31% a definiram como "questionável" - e somente 9,59% a consideraram "correta".Os colunistas esportivos afirmam que por trás da rejeição a Maradona está seu comportamento turbulento, a dependência das drogas, os escândalos em boates, suas opiniões políticas polêmicas e sua folclórica falta de tato. O analista Daniel Arcucci, do La Nación, sustenta que a designação de Maradona como técnico implica um risco: "Diego, sem o número 10 nas costas, faz uma aposta redobrada. Talvez esteja arriscando-se demais, como sempre em sua vida. Até mesmo sua condição de mito."

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