Dunga de novo sob pressão

Futebol - Fracasso da equipe olímpica reacende críticas pela fase da seleção principal

Almir Leite e Valéria Zukeran, enviados especiais, Pequim, O Estadao de S.Paulo

20 de agosto de 2008 | 00h00

Para Dunga, agora é bola pra frente. O Brasil não vai ganhar o ambicionado ouro olímpico no futebol, mas o treinador entende que o melhor é pensar no futuro. "Vamos dar seqüência no trabalho", disse após a derrota para a Argentina, evitando responder diretamente se considera seu emprego ameaçado. "A derrota aumenta a pressão, mas o importante é ter convicção no que se está fazendo. Tem de ter força nesses momentos delicados."O técnico, porém, sabe que um tropeço no dia 7 de setembro, contra o Chile, pelas Eliminatórias da Copa de 2010, pode encerrar seu ciclo na seleção. Ele faz a convocação para esta partida, e também para a do dia 10, contra a Bolívia, amanhã, em Xangai.Dunga deu a entender que, se continuar no comando, vai aproveitar quase todos os jogadores que estão na seleção olímpica no time principal. "Não é por um jogo que a gente vai questionar os atletas. O meu pensamento sobre eles não muda por causa de um resultado."Para Ronaldinho Gaúcho, um elogio especial: "Ele foi um exemplo para todos nós, dentro e fora do campo. Não atingiu o nível que todos conhecemos na Olimpíada, mas estamos muito contentes", afirmou, como se algo pudesse deixar alguém da seleção ?muito contente? minutos depois de um fracasso histórico.Ao falar da derrota para a Argentina, o treinador considerou que o jogo foi igual durante um bom tempo. "Mas quem sai na frente em um clássico como esse tem grande vantagem." Também não deu o braço a torcer ao ser questionado sobre a ineficiência da marcação individual de Anderson sobre Messi. "Um jogador com a qualidade do Messi tem dia que dá para marcar, tem dia que não. Hoje não deu", respondeu.Dunga procurou manter a serenidade durante a coletiva, mas não gostou quando um jornalista, em inglês, perguntou onde foi parar o verdadeiro futebol brasileiro. "Nós jogamos como vínhamos jogando. Não é sempre que dá para fazer gol. Se a Inglaterra pudesse ser sempre campeã do mundo, como foi em 1966, seria maravilhoso. Mas isso não é possível", retrucou. Detalhe: o jornalista que questionou Dunga é norte-americano.SUPERIORIDADEJogadores cabisbaixos, procurando explicações para a derrota e também ânimo para jogar a partida que vale a medalha de bronze contra a Bélgica, às 7 de quinta-feira, horário de Brasília. Essa foi a tônica no vestiário brasileiro ontem à noite, em Pequim. O abatimento era geral, mas também havia o reconhecimento de que os argentinos foram superiores."Fizemos o que podíamos, mas não deu", disse o volante Hernanes. "A gente fica tentando achar os porquês, o que faltou e não consegue encontrar." O atacante Alexandre Pato seguiu discurso semelhante. "Todos fizeram o máximo, mas perdemos para uma equipe que foi muito melhor. Mas estou feliz pelo trabalho que fizemos nesta Olimpíada."Hernanes entende que Dunga agiu bem ao não modificar a forma de jogar da seleção. "A gente vinha jogando dessa maneira, valorizando a posse de bola e não tinha de mudar só porque era a Argentina."O goleiro Renan estava resignado. Não havia sofrido gol na Olimpíada. Quando sofreu... "Claro que não foi legal, mas sei que fiz meu trabalho. Tem dia que não dá, a bola entra e não se pode fazer nada", disse.O desafio, agora, é ter motivação para enfrentar a Bélgica. "Ainda tem o bronze. Não era o que queríamos, mas vamos lutar", disse Hernanes.

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