Dunga mostra preocupação com salto alto

Sob comando do técnico, seleção venceu os cinco jogos disputados contra os chilenos; em dois [br]deles houve goleadas

Marcius Azevedo, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2010 | 00h00

A Copa do Mundo começa hoje para o Brasil. Pelo menos é o discurso que o técnico Dunga tenta a todo custo colocar na cabeça de seus comandados. O que o Brasil fez antes do Mundial e na primeira fase na África do Sul ? vitórias sobre Coreia do Norte (2 a 1) e Costa do Marfim (3 a 1), além do empate com Portugal (0 a 0) ? não valerá de nada se a seleção brasileira não passar pelo Chile hoje e avançar às quartas de final.

A mentalidade, segundo o treinador, agora precisa ser outra. Não há mais margem para erros. Qualquer vacilo a partir das oitavas de final pode significar o retorno para casa mais cedo do que todos no grupo gostariam. "Todos que estão aqui sabem que, quando é jogo eliminatório, muda psicologicamente. Na primeira fase, tinha dois jogos para recuperar. Agora tem de jogar no máximo, no limite", explica. "Daqui para frente, cada jogo é um campeonato e todos são finais."

O trabalho psicológico com o grupo começou no sábado, um dia depois de o time garantir o primeiro lugar do Grupo G. Continuará sendo feito até momentos antes de a seleção entrar em campo no Ellis Park, em Johannesburgo, às 15h30 (horário de Brasília).

O tema ainda será parte importante da preleção de Dunga. Além de voltar a bater na tecla da importância do jogo, o técnico também fará uma "lavagem cerebral" nos jogadores para evitar que o retrospecto irretocável contra o Chile sob o seu comando ? foram cinco vitórias com placares tranquilos, duas delas por goleada ? agora venha a interferir no desempenho da equipe.

Dunga faz questão de enaltecer o adversário. "É uma equipe rápida, muito mais competitiva, diferente da que enfrentamos anteriormente", garante o técnico. "O Chile adquiriu a mentalidade de seu treinador. Vem a campo para jogar, joga no seu limite. Deixa tudo que pode dentro de campo, então temos que jogar da mesma forma." Questionado se o time de Marcelo Bielsa era o rival ideal porque nesta Copa jogou ofensivamente, Dunga desconversou, dizendo que outras seleções também tiveram dificuldades contra adversários retrancados. E mais uma vez fez um alerta aos jogadores, lembrando que é preciso esquecer o passado.

"Adversário ideal é o que já derrotamos. Temos de achar nossa fórmula agora para ganhar", afirma. "Hoje em dia não tem adversário fácil. O que vale sempre é o próximo jogo. Todos sabem que é Copa do Mundo, é outra partida, outra atmosfera, outra motivação." O futuro distante ? ou próximo, dependendo do resultado ? também não interessa ao treinador.

Dunga desconversou sobre o que fará após o fim da Copa, já que não ficará na seleção brasileira, mesmo que conquiste o hexacampeonato. Já há clubes interessados em contratá-lo.

"Não pensei agora e anteriormente também não. Nunca pensei no que ia fazer depois de quatro anos, meu trabalho é focado aqui na seleção e na Copa. Isso é o que me interessa."

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