Dunga: time está perfeito

Para treinador, equipe olímpica será veloz, compacta, eficiente, solidária...

Almir Leite, O Estadao de S.Paulo

31 de julho de 2008 | 00h00

Uma equipe veloz, compacta, que sabe explorar os lados do campo, movimenta-se bastante, marca com eficiência, é solidária. É dessa maneira que o técnico Dunga imagina a seleção brasileira que vai tentar a inédita medalha de ouro na Olimpíada de Pequim. A estréia será dia 7, em Shenyang, contra a Bélgica. Resta saber se até lá o (pouco) tempo de preparação dará ao time a estrutura pretendida pelo treinador.A primeira fase de treinos será encerrada amanhã, num amistoso contra a inexpressiva seleção do Vietnã, às 10 horas (de Brasília), no Estádio Mai Dinh. O adversário é tão fraco que, a rigor, nem sequer serviria como sparring - como também não serviu Cingapura, derrotada sem a menor dificuldade por 3 a 0 na segunda-feira.Com tempo escasso para treinar antes da estréia (a rigor, menos de 15 dias), Dunga apostou em trabalho intenso, mas com a preocupação de não forçar demais os jogadores, para que cheguem bem física e tecnicamente no dia do jogo com a Bélgica. Na maioria das vezes, treinou apenas em um período. Não quis expor os atletas, a maioria deles voltando de férias, ao risco de contusões. Apenas Ronaldinho Gaúcho, que estava sem jogar havia quatro meses, teve uma carga mais pesada, mas igualmente bem dosada, de trabalho físico. "O importante é o time estar inteiro para a estréia??, ressalta.Dunga tem dito que ganhar a Olimpíada é mais difícil do que a Copa do Mundo, justamente pelo tempo exíguo para preparar a equipe. No entanto, ele também contribuiu para isso. No início do ano, poderia ter usado mais atletas com idade olímpica em amistosos contra Irlanda e Suécia. Convocou vários deles para esses jogos, mas na hora de escalar, preferiu a maioria de "veteranos". Venceu as duas partidas por 1 a 0. Os ?olímpicos? Rafinha, Marcelo, Hernanes, Anderson, Diego, Thiago Neves, Alexandre Pato, Lucas e Rafael Sobis foram utilizados, mas nenhum deles jogou 90 minutos naqueles jogos. Depois, também foi econômico em relação aos garotos nos amistosos contra Canadá (3 a 2) e Venezuela (0 a 2), nos EUA, em maio e junho. Assim, a rigor, a seleção olímpica fez uma única partida antes de embarcar para a Ásia, contra uma obscura seleção carioca, formada basicamente por atletas de times pequenos.A presença dos brasileiros continua mexendo com Hanói. Na tarde de ontem (madrugada de quarta-feira no Brasil), milhares de vietnamitas deixaram os afazeres na esperança de assistir ao primeiro treino da seleção no Estádio Nacional. Saíram frustrados, pois o local foi fechado - medida para evitar que se repetisse o tumulto que marcou a chegada ao país."Tem gente que deixa de trabalhar só para tentar ver os brasileiros??, disse ao Estado o comerciante Doung Dao. "Sempre gostamos muito de seus jogadores.?? Hanói tem cerca de 3,5 milhões de habitantes e trânsito confuso, principalmente por causa das motos, que brotam nas ruas como formigas.Ao tomar como base algumas manobras observadas ontem à noite, até que os motoqueiros de São Paulo não são tão ruins assim. Por várias vezes, o motorista que levou a equipe do Estado ao hotel teve de desviar de motoqueiros, que cruzavam a frente do carro - muitos vindos da direção contrária - com assustadora naturalidade. "Parece que aqui sinal vermelho é só para carros??, reclamou, depois da enésima vez em que obedeceu à sinalização e acabou ultrapassado por dezenas de motos.

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