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Eduardo Maluf
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Dura realidade

Abril de 2003, dez anos atrás. Nadson, atacante pouco conhecido, viveu seu momento de fama. O jogador marcou quatro vezes na goleada do Vitória sobre o Palmeiras por 7 a 2, no Palestra Itália, pela Copa do Brasil, e fez crescer a crise no clube paulista. No dia seguinte, Marcos deu entrevista polêmica: "Se tivessem chutado mais bolas, teríamos sofrido ainda mais gols". Eu era um dos repórteres no CT palmeirense e vi de perto o desabafo do goleiro. Em "off", ele explicou o que quis dizer. A desmotivação com a fragilidade da equipe era tanta que lhe tirava o prazer de defender os arremates dos adversários. Marcos, claro, não sofreria nenhum gol de propósito, mas aquela foi a forma de escancarar o desânimo com o time, descomprometido, sem alma, além de fraco tecnicamente.

Eduardo Maluf, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2013 | 02h02

Uma década depois, o Palmeiras tem provavelmente elenco ainda pior do que aquele humilhado pelo Vitória diante de seu torcedor. Nadson não era craque, longe disso. Apenas aproveitou a fragilidade palmeirense para garantir os minutos de glória. Em seguida, desapareceu pelo mundo da bola.

O Mirassol de anteontem é o Vitória de 2003. A equipe do interior paulista é fraca e luta só para evitar o rebaixamento no Estadual. O Alviverde não tem o direito de dar nenhuma desculpa para a vergonhosa derrota por 6 a 2. Nem que tivesse entrado em campo com time juvenil poderia ter levado seis gols do Mirassol.Há quem diga que a fase ruim do clube está demorando demais para acabar. Não existe má fase de 11 ou 12 anos. O fato é que o Palmeiras se apequenou, e apenas continua sendo grande por causa das conquistas do passado, da história de sua camisa e da força do torcedor. A administração dos últimos tempos é de, no máximo, clube médio.

Se conselheiros e dirigentes não entenderem que a gestão do futebol mudou e se modernizou, daqui a algum tempo o Palmeiras passará a ser definitivamente uma agremiação mediana. As transformações têm de sair do discurso e ir para a prática. Faltam investimentos na categoria de base, melhor trabalho de marketing e nova filosofia na contratação de jogadores e treinadores. A diretoria não pode, por exemplo, aceitar passivamente no grupo atletas que representam elevados gastos mensais e quase nada produzem, como Valdivia.

O time que veste a camisa alviverde é reflexo da decadência administrativa do Palmeiras. A equipe atual, como tem ocorrido em quase todas as temporadas desde o fim da parceria com a Parmalat, é ruim demais. A maioria dos jogadores tem nível para defender Ituano, XV de Piracicaba, São Bernardo, não um clube grande que deveria impor como meta a conquista de títulos expressivos.

Com o tempo, os valores de patrocínio e o número de torcedores vão caindo... Nomes comuns, como Marcelo Moreno, preferem ficar encostados no Grêmio a serem protagonistas no Palmeiras. E resultados desastrosos, como o de anteontem, em Mirassol, passam a não ser tão atípicos.

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