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Reginaldo Leme
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Duro de derrotar

Depois de pedalar 936 horas, correr 91 quilômetros, nadar oito horas, fazer mais sete de musculação e dedicar outras 14 horas para jogar tênis, futebol e esquiar ao longo de três semanas, Fernando Alonso entrou no cockpit de um F-1 pela primeira vez no ano e, de cara, fez 110 voltas no Circuito de Barcelona, o equivalente a 512 quilômetros.

REGINALDO LEME, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2013 | 02h04

Além do evidente orgulho com que ele mesmo postou esses números todos no Twitter, parece um tipo de aviso aos adversários de que em 2013 o espanhol vai ser um piloto ainda mais duro de ser derrotado.

Mesmo no caso de Sebastian Vettel, um sujeito daqueles que dizem não temer qualquer desafio, deve soar um tipo de alerta quando a ameaça vem de Fernando Alonso. Nessa hora é capaz de passar pela cabeça do tricampeão qualquer pensamento do tipo "se aquele espanhol arrogante foi capaz de levar um carro ruim até o duelo final, me desafiando na pista e na mídia do mundo todo, com um carro confiável desde o início do ano ele vai incomodar". Bem, isso é o que seres normais como nós imaginamos que possa passar pela cabeça desses caras. Mas pode ser que Vettel não esteja nem aí com a evolução que a Ferrari tem mostrado na pré-temporada.

O que mais me agradou nessas duas primeiras sessões de testes - quatro dias em Jerez e quatro em Barcelona - foi que oito pilotos diferentes lideraram a classificação em cada um dos oito dias de treinos, e as melhores marcas foram divididas entre quatro equipes fortes. A McLaren foi melhor uma vez em Jerez com Button e uma vez em Barcelona com Perez. A Lotus, também duas vezes, ambas em Jerez, com Grosjean e Raikkonen. A Ferrari, com Massa em Jerez e Alonso em Barcelona, e a Mercedes, com Rosberg (Jerez) e Hamilton (Barcelona). E onde é que fica a Red Bull nessa história ? Muito fácil responder.

Trata-se de um caso explícito de "não mostrar tudo o que temos", mesmo sem enganar ninguém. A dúvida não é se a equipe tricampeã do mundo escondeu o jogo, mas o quanto ela pode ter escondido. Há um aspecto que surpreendeu a todos em Barcelona, que foi o alto nível de degradação dos pneus. Em Jerez isso era esperado, mas não em Barcelona. A Pirelli encontrou a explicação para isso nas baixas temperaturas de Barcelona, geralmente entre 10 e 15 graus centígrados, mas chegando a 6 graus ontem, bem abaixo do que a F-1 vai encontrar no decorrer do campeonato. Sem atingir a temperatura ideal, os pneus escorregavam mais no asfalto, provocando um desgaste maior de borracha.

Tanto que, nas simulações de corrida, concluiu-se que poderiam ser necessários de três a quatro pit stops, na comparação com os dois que foram feitos no GP do ano passado nessa pista. Pela primeira vez os pilotos puderam testar os novos pneus de chuva.

World Series. O paulista André Negrão e o paranaense Pietro Fantin começaram bem os testes de pré-temporada da World Series, categoria de acesso à Fórmula 1. André fez o sexto e Pietro, o sétimo tempo, na pista de Aragón, Espanha. Os brasilienses Lucas Foresti e Yann Cunha, em equipes estreantes, ainda estão em período de adaptação aos seus novos carros.

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