Dúvida cruel

Não torço para time estrangeiro, e não se trata de qualquer ranço xenofóbico, nem cisma. Apenas tive a felicidade de descobrir o futebol na época em que o Brasil era referência mundial de qualidade. Por isso, curto uma - só uma - equipe, e daqui. Fora lembranças de infância de grandes clubes internacionais, no máximo admito simpatia pela Roma, que acompanho desde a época de Falcão. Atenção profissional tenho por todas as agremiações, sobretudo as paulistas.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

23 Março 2015 | 02h02

Esse parágrafo cheio de rodeios é pra dizer o seguinte: complicado demais assistir a São Paulo x Marília e a Capivariano x Corinthians praticamente ao mesmo tempo de Barcelona x Real Madrid. Comparação ingrata, reconheço, pois o duelo espanhol está entre os maiores clássicos da Terra. Claro que há muita coisa ruim na Espanha e outros lugares. Mas por aqui exageramos na dose de atrações indigestas.

Desperdício ver o Corinthians com força máxima - exceto Gil e Elias, na seleção - a exibir-se num gramado péssimo na Arena Capivari. Dispendioso abrir o Morumbi para pouco mais de 7 mil pagantes (179 mil reais e uns tocados de renda) para prestigiarem o mistão do São Paulo diante do lanterna do Estadual. Daí, liga-se a telinha para dar de cara com o Camp Nou abarrotado e arrecadação em milhões de euros. Sinceramente? Inveja dos gringos.

Dor de cotovelo porque curtiram outro confronto de seleções de astros, em que não faltaram jogadas bonitas, dribles, gols, catimba, divididas mais ríspidas e um festival de cartões amarelos (5 para o Barça e 6 para o Real). E, com o resultado de 2 a 1, a turma de Messi e Neymar abre quatro pontos de vantagem sobre Cristiano e colegas. Com 10 rodadas pela frente, dificilmente o título escapa de Barcelona.

O primeiro tempo foi do Real, embora o Barcelona tenha saído na frente com Mathieu. Os contragolpes dos madridistas eram mais rápidos, com Modric, Benzema, Bale. Assim, oportunidades se sucederam, até bola na trave houve. A recompensa veio no gol do português artilheiro, ontem um pouco abaixo do que costuma apresentar.

No segundo, o panorama foi semelhante e se rompeu aos 10 minutos, quando o Barcelona fez o segundo, numa bola longa de Daniel Alves que Suárez aproveitou. Dali em diante, esvaziou-se o entusiasmo do Real, que ainda esbarrou em defesas de Bravo. Neymar perdeu gol feito, antes de viajar para Paris, onde se junta aos pupilos de Dunga. A situação se repete: o Barcelona deslancha no momento decisivo da temporada; o Real emperra. Resta ver como vão se comportar na Champions.

... no Morumbi. Voltemos pro quintal de casa. O São Paulo jogou para o gasto nos 3 a 0 em cima do Marília. Muricy Ramalho fez bem ao descansar a maioria dos titulares - Rogério Ceni, pra variar, abriu mão da folga e disputou a partida mil e sei lá quantas. Isso porque na manhã de ontem era dúvida...

Quinze minutos, eis o tempo suficiente para livrar-se da tarefa da longa fase de classificação do Paulista. Evandro aos 13 e Kardec aos 15 estabeleceram a diferença entre os dois times. Kardec, um dos melhores, repetiu a dose aos 28 da etapa final. Devagar, o argentino Centurión se solta, em claro esforço para integrar-se ao esquema e na busca por companheiro ideal. Se o jogo valeu para alguma coisa, foi para Muricy observar alternativas do elenco.

... em Capivari. Tite achou conveniente manter os titulares em atividade, mesmo após o jogo de início de semana na Libertadores. A vitória representaria a garantia de vaga antecipada para a fase de mata-mata, ou quase isso. O Capivariano exigiu esforço, ao menos no primeiro tempo, e os gols de Emerson e Guerrero saíram em cima da hora. O relaxo na segunda parte proporcionou emoção, pois o time da casa, mesmo com um a menos, tentou a sorte, diminuiu, levou o terceiro e abaixou de novo a diferença. Perdeu por 3 a 2, mas fez o Corinthians dobrar o número de gols sofridos até então.

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