Dúvidas e trovoadas

Tão logo vi a escalação do Santos para o clássico com o Corinthians, me veio uma dúvida: por que Adilson Batista optou por formação mais forte no meio-campo, como havia feito diante do Tachira, e abriu mão de escolha ofensiva, como tem sido vocação e diferencial de seu time? O treinador repetiu postura do jogo de estreia da Libertadores, em que sua equipe não passou do 0 a 0, e deixou no banco Maikon Leite e Zé Eduardo, dois atacantes em boa fase. Na frente, teoricamente, restou apenas Neymar, mesmo que Diogo tivesse a incumbência de fazer-lhe parceria. O resultado dessa decisão refletiu-se no placar, depois de uma hora de trovoadas no Pacaembu, intensas sobretudo no segundo tempo: derrota por 3 a 1, o fim de invencibilidade e a perda da vice-liderança.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2011 | 00h00

A preferência de Adilson não foi o único motivo para a queda santista, muito menos se pode culpar o pé d"água. Seria análise simplista e injusta, especialmente com o adversário. Do outro lado, houve a aplicação, a cumplicidade, a vontade de reação corintianas, que andava tristonho. O time de Tite entrou em campo desfigurado, em relação àquele que iniciou o ano, e só nesta semana teve três baixas definitivas - a saída de Roberto Carlos e Jucilei, a aposentadoria de Ronaldo. No balanço do prejuízo, embora temporário, se acrescenta a ausência de Chicão, afastado por contusão.

O Corinthians desmanchado, como escrevi ontem, superou-se diante do Santos em construção. A equipe mais pressionada foi a que se comportou de forma altiva, combativa e eficiente. Dentinho e Jorge Henrique, que alternam momentos exuberantes com episódios de distração, desta vez foram impecáveis e deram muito trabalho à zaga santista. Ambos dificultaram também descidas de Danilo e Leo pelas laterais.

De quebra, Dentinho sofreu o pênalti cometido por Adriano e que resultou no segundo gol de Fábio Santos, até dias atrás reserva de Roberto Carlos. Já Liedson apareceu menos, mas segurou os zagueiros e marcou um golaço para fechar a conta do jogo. Com todo o carinho demonstrado por Ronaldo, o homenageado da tarde, a equipe alvinegra ficou mais leve, mais solta sem o astro.

Outro ponto positivo do Corinthians foi a marcação. Ralf, Paulinho e Moraes levaram vantagem sobre Arouca, Possebon, Robson e Elano, que num dos raros lances em que teve liberdade deixou sua marca em outro belo gol. Adilson Batista começou a mexer no Santos a partir dos 12 minutos da etapa final, ao colocar Maikon no lugar de Possebon. Aos 33, mandou Zé Eduardo substituir Danilo, quando então sua equipe ficou com perfil descaradamente agressivo.

Só que àquela altura surgia um empecilho: o gramado encharcado tornava mais difícil a movimentação de um time leve como o Santos. Os atacantes que entraram receberam poucas bolas em condições de incomodar Júlio César, enquanto Neymar permanecia sumido e bem vigiado. Veio, então, mais uma dúvida: por que não começou assim, em vez de recorrer à cautela? A história da partida poderia ter sido outra. Melhor para o Corinthians, que renasce e pode despontar logo na liderança.

Dúvida 2. Voltará Valdivia a ser o mago do meio-campo do Palmeiras? Ele retornou ao time ontem, depois de longo afastamento, e foi apenas discreto no empate com o Mogi Mirim. Evidente a falta de ritmo.

Dúvida 3. Quando será a primeira grande exibição de Ronaldinho Gaúcho no Flamengo? Não esteve mal no 1 a 1 com o Botafogo que colocou seu time na final da Taça Guanabara. Mas até agora não "arrebentou".

Dúvida 4. Paulo Cesar Carpeggiani deu a entender que Rivaldo é reserva no São Paulo, com o retorno de Lucas e Casemiro. Passou rápido o entusiasmo pelo extraordinário e quase quarentão craque, o melhor do Brasil na Copa de 2002. Fogo de palha?

A propósito de São Paulo: escrevi ontem que Juvenal Juvêncio tenta mais dois anos de mandato aos seis que já tem. Na verdade, busca mais três aos cinco. O total sempre é oito...

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