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E agora, Alonso?

Foi apenas a primeira série de quatro dias de testes, e a pré-temporada tem mais duas dessas na preparação de carros e pilotos para a estreia no campeonato, daqui a 36 dias. Como as forças variam bastante de um treino para outro, devemos aguardar o próximo encontro, dia 19, na pista de Barcelona. Pelo que se viu até agora, no entanto, dá para esperar um ano mais equilibrado. Ferrari, Williams e até a Sauber parecem ter diminuído a diferença que as separa da Mercedes, além da Red Bull, que andou pouco e mal em Jerez, mas é preciso levar em conta que foi assim na pré-temporada do ano passado. Depois, no campeonato, foi a única equipe capaz de bater a Mercedes três vezes.

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2015 | 02h04

O que dizer da Ferrari, que depois de decepcionar tanto Alonso, a ponto de o espanhol pedir para sair antes de terminar o contrato, de repente apareceu com o carro mais veloz da turma?

Além de terminar a série com os dois melhores tempos, a equipe italiana ainda viu o brasileiro Felipe Nasr conseguir o terceiro tempo com um carro da Sauber, que também usa motor Ferrari. Coincidência não deve ser. Parece mais lógico concluir que o motor italiano evoluiu muito em relação àquele que teve um ano desastroso em 2014.

E o fã de Sebastian Vettel, que andava preocupado desde que ele anunciou a troca da Red Bull pela Ferrari, respirou aliviado. A sua estreia com o melhor tempo no primeiro dia mostrou um casamento perfeito com a equipe italiana, o que não se esperava logo de cara. E justifica a volta do jeito alegre que o tetracampeão demonstrava nos melhores tempos da Red Bull.

A surpresa maior veio da Sauber. Décima colocada no último campeonato, sem marcar um único ponto, a equipe fez um carro capaz de marcar o melhor tempo de um dos treinos e terminar os outros três em segundo lugar. O brasileiro estreante Felipe Nasr foi o mais veloz de todos no terceiro dia e acabou em segundo no segundo dia. O companheiro dele, o sueco Marcus Ericsson, foi segundo no primeiro e também no último dia de treinos. Além disso, a Sauber foi também a equipe que mais treinou depois da Mercedes - 381 voltas (1.687 quilômetros). E, segundo Felipe Nasr, o carro ainda está longe do melhor equilíbrio, o que o faz gastar pneu muito rapidamente.

Outra boa notícia para o torcedor brasileiro é que a Williams conseguiu melhorar o carro que já era bom no ano passado, dando muita confiança a Felipe Massa e Valtteri Bottas de poder até lutar por vitórias. Eu gostaria de estar errado, mas brigar com a Mercedes pensando em título ainda é algo distante para a Williams. Mas o carro é veloz e os dois pilotos, somados, fizeram 1.226 quilômetros - Massa foi o mais veloz entre eles.

A Mercedes, repetindo a receita do ano passado, deu mais importância à confiabilidade do carro. Por isso, o melhor que ela conseguiu foi terminar três dias em terceiro (duas vezes com Nico Rosberg e uma com Lewis Hamilton). Na soma dos quatro dias, os dois andaram 514 voltas, o que equivale a 2.276 quilômetros. Rosberg foi quem mais treinou e também foi mais veloz do que Hamilton, o atual campeão. Na Red Bull, Daniel Ricciardo e Danil Kyviat nunca conseguiram bons tempos e nos quatro dias somaram um terço das voltas da Mercedes.

Nada foi tão desastroso como a largada da McLaren em 2015. Estreando uma nova parceria com o motor Honda e tendo de volta Fernando Alonso, a equipe inglesa enfrentou mais problemas do que o esperado, e não apenas com o motor estreante. O carro também falhou bastante. Em consequência de tudo isso, nos quatro dias de treinos Alonso e Jenson Button mal conseguiram superar os 350 quilômetros, sempre muito longe dos tempos de todos os outros carros. A coisa andou tão mal que, depois de fazer seis voltas no primeiro dia e outras seis no segundo, o objetivo passou a ser apenas conseguir que o carro conseguisse permanecer na pista por dez voltas consecutivas. Para quem vê a McLaren nesse nível, e a Ferrari com grande chance de ter um ano muito bom, impossível não pensar na troca feita por Alonso, com 33 anos e muita pressa de voltar a ser campeão. O ano promete ser de noites mal dormidas para o espanhol.

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