Imagem Antero Greco
Colunista
Antero Greco
Conteúdo Exclusivo para Assinante

E não é que a tecnologia ajuda o futebol?

Futebol sem polêmica não tem graça nenhuma. Igual carne sem sal, chope quente e lanchinho de avião. Um lance rápido, como o do pênalti de Chiellini sobre o costa-riquenho Campbell, rende discussões intermináveis, seguidas de teorias de conspiração. Um impedimento mal marcado ou mal ignorado não se esquece jamais. Enfim, o que seria do joguinho de bola se não houvesse a dúvida?

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2014 | 02h02

Continuo na turma dos que gostam de boa conversa fiada a respeito de momentos cruciais de uma partida, seja amistosa ou de Copa. Mas admito: bacana essa bossa de colocar chip na bola e sensores nas traves, sob a grama e sei lá onde. Só para apontar se ela atravessou a linha fatal, mesmo que não tenha beijado as redes.

Gol é sagrado, com ele não se brinca. Angústia danada sente torcedor ao ver gol legítimo anulado por dúvida do árbitro. Ou irregular confirmado por motivo semelhante. Até hoje, ingleses e alemães trocam acusações por lance na prorrogação da final do Mundial de 66.

Sabe como foi? O jogo estava no 2 a 2, quando o inglês Hurst arrematou para a meta de Tilkowski, aos 11 minutos do primeiro tempo suplementar. A bola bateu no travessão, no chão e o suíço Gottfried Vinst confirmou o gol. Depois, veio o quarto, e o título para os súditos da rainha Elizabeth.

Na África do Sul, em 2010, Lampard fez um golaço para a Inglaterra, contra a mesma Alemanha, que passou batido pela arbitragem. Injustiça que se evitou em dois momentos, nesta fase de grupos do nosso Mundial: no gol de Benzema, o segundo da vitória da França sobre Honduras, e no de Ruiz diante da Itália, no Recife.

A Fifa dá muita bola fora, mas essa foi dentro - a tecnologia comprova. Nem por isso seca a fonte de divergências. As controvérsias continuarão a existir em diversos outros momentos que dependem só do olhar e da interpretação humanas. Para dar tempero ao jogo.

Pra inglês ver. Você acreditou na cara de mau de Felipão, após o empate com o México? Eu não. O técnico é bom ator - a qualidade para representar sempre ficou evidente, nas caretas, no tom de voz, no timing nas entrevistas e, mais recentemente, na desenvoltura em comerciais de TV.

Agora, está com semblante carrancudo, aparentemente aborrecido com críticas à seleção. Defendeu-a com argumento de que viu evolução, insinuou que não fará mudanças para pegar Camarões. De quebra, disse que o rumo do time é problema dele.

Felipão abandonou, ao menos temporariamente - e espero que não passe de onda dele -, o estilo "paz e amor" que adotou como parâmetro de comportamento na maratona do Mundial. Prefiro interpretar como jogo de cena. Ele sabe quais aspectos funcionam na equipe, quais os pontos negativos. O que pode ser mantido, o que exige mudanças. O que funciona e o que requer mexidas.

A hora de chacoalhar o Brasil é agora, pois o time ainda pode errar e acertar em Brasília. A partir das oitavas, qualquer vacilo significará desclassificação. Daí Felipão ficará bravo de verdade, assim como o torcedor. E não haverá volta.

Tudo o que sabemos sobre:
Antero Greco

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.