E o atletismo perde espaço em SP

Direção do Complexo Constâncio Vaz Guimarães defende uso misto do local e desagrada a técnicos e atletas

Giuliano Villa Nova e Heleni Felippe, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2027 | 00h00

Mesmo a contragosto, o atletismo terá de dividir o espaço no Estádio Ícaro de Castro Melo, no Ibirapuera, em São Paulo. A administração do Complexo Constâncio Vaz Guimarães vai a abrir a área - que é do governo estadual - para outros esportes. O atletismo, que tem reinado absoluto no local, ficou apreensivo com a decisão, principalmente quando alguns treinadores souberam da transferência da gaiola de proteção do lançamento de martelo da pista de atletismo. Eles garantem que não é compatível dividir espaço com outros esportes.Há preocupação porque a pista do Ibirapuera é a única pista em São Paulo para treinamento de atletas olímpicos e para competições importantes. Mas o processo é irreversível.''''Este é espaço público e não podemos dar exclusividade para alguns, em prejuízo de outros'''', afirma Eduardo Anastasi, diretor do Constâncio Vaz Guimarães. ''''No complexo, estão sediadas mais de 30 federações, dos mais diversos esportes.''''O administrador confirma que o estádio será cada vez mais utilizado por outros esportes, como o rúgbi. E a Escola de Árbitros da Federação Paulista de Futebol começará a fazer aulas práticas no gramado. Mas não haverá jogos de campeonato de futebol - a reportagem do Estado constatou que o gramado está muito esburacado, até para torneios de várzea.No governo anterior, o ex-secretário Lars Grael fez parceria com uma empresa, que investiu US$ 1 milhão na reforma da pista do Ícaro de Castro Melo, para provas de atletismo. ''''O uso misto é incompatível. O governo vai ter pouco retorno político e tirar muito do atletismo'''', reclama Elson Miranda, técnico de Fabiana Murer. Ele diz que os treinadores não foram comunicados sobre a mudança da gaiola do lançamento do martelo. Em sua avaliação, isso é grave porque a pista perderia o status de classe A, definida pela Iaaf, a Federação Internacional de Atletismo, para a realização de competições como o Grand Prix. ''''Não pode dividir. Os atletas treinam aos sábados, às vezes à noite, e aos domingos.''''Anastasi reconhece o compromisso com a empresa que investiu na reforma da pista, mas não de exclusividade. ''''Há contrato de licitação, válido por mais um ano, para exploração do espaço publicitário'''', informa. ''''Não haverá prejuízo para o atletismo. O compartilhamento ocorre em outros lugares'''', opina Eduardo Anastasi.Para o dirigente, o problema principal é a falta de espaços adequados para a prática esportiva. Ele exemplifica com a crescente procura do complexo pela população: no ano passado, 2 mil pessoas se inscreveram nos cursos gratuitos ministrados no local; só este ano, são mais de 6 mil.A gaiola do lançamento do martelo foi mesmo desmontada. Mas Anastasi garante que o equipamento será instalado do outro lado do gramado.

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