E os checos têm um novo herói: Stepanek

Tenista superou o cansaço de três dias seguidos de jogos, venceu Almagro e garantiu o título diante da torcida

PRAGA, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2012 | 02h03

A Copa Davis é pródiga em construir heróis, e a competição ganhou mais um em sua centésima final. Ele é checo e atende pelo nome de Radek Stepanek. Com uma vitória sobre o espanhol Nicolás Almagro por 6/4, 7/6 (0), 3/6, 6/3 no último duelo da disputa, garantiu o título para a República Checa por 3 jogos a 2, em Praga. Antes, a única conquista do país na competição tinha sido há 32 anos, ainda sob o nome de Checoslováquia.

Para se ter uma noção da importância do feito para o esporte checo, Ivan Lendl, líder em quadra na ocasião do título de 1980, não escondeu a emoção. Nas arquibancadas, a lenda do tênis foi às lágrimas em uma cena quase surreal para quem se acostumou a vê-lo sempre com os nervos sob controle em sua vitoriosa carreira, encerrada em 1994.

"Todos eles - Lendl, (Jan) Kodes, (Tomas) Smid e (Pavel) Slozil - foram meus ídolos de infância, seguimos seus exemplos com paixão e desejávamos este título por eles e por nós também. Mas eles foram a nossa inspiração", admitiu Stepanek. De fato, a equipe checa tanto procurou inspirar-se na vitória de 1980 que havia menção ao título nos uniformes da delegação.

Mas até chegar ao momento de glória a equipe checa viveu fortes emoções. No primeiro dia, Stepanek começou a disputa com uma derrota para David Ferrer e Berdych com uma vitória sobre Almagro. No sábado os checos arriscaram tudo e colocaram seus melhores atletas de simples para jogar duplas contra os atuais campeões do ATP Finals, Marcel Granolers e Marc Lopez. Deu certo: os checos conquistaram o segundo ponto na série de melhor de cinco jogos.

O terceiro dia reservava uma pergunta: seriam os donos da casa capazes de vencer após uma sequência de três dias seguidos de confrontos contra adversários que tiveram um dia a mais de descanso? A resposta na primeira partida não era animadora: Berdych não conseguiu fazer frente à Ferrer e perdeu por 6/2, 6/3 e 7/5, mantendo a esperança de a armada espanhola repetir o título do ano passado mesmo sem contar com Rafael Nadal, que está contundido.

Coube então ao experiente Stepanek a responsabilidade de desempatar a série e igualar o feito da equipe checa feminina, que há semanas ganhou a Federation Cup. Aos 33 anos, o cansaço poderia ser adversário extra do checo, 37.º no ranking da ATP contra Almagro, 27 anos, 11.º do mundo.

Foi a hora de colocar o coração na raquete e Stepanek não decepcionou. "Joguei de forma muito agressiva. Queria ser aquele que tomava as iniciativas, controlava o jogo", explicou. "Valeu a pena. Apesar da derrota no segundo set. Não tinha dúvida que estava no caminho certo."

Apesar da derrota ontem, Berdych estava eufórico. "Não há nada mais a conquistar. Nada mais a dizer. É um momento que nós nunca vamos esquecer."

O capitão da equipe espanhola, Alex Correja, não comentou se a decisão de convocar Almagro no lugar de Feliciano Lopez pode ter feito a diferença. "Nos venceram quando pensávamos que podíamos virar o jogo", lamentou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.