''É pior do que eu imaginava''

Dirigente se assusta com as contas do clube e não promete reforços. Mas diz que time não cairá para a Segunda Divisão

Bruno Lousada, O Estadao de S.Paulo

26 de julho de 2008 | 00h00

Empossado presidente do Vasco dia 1º de julho, o maior ídolo do clube, Roberto Dinamite, admitiu em entrevista exclusiva ao Estado que a crise financeira da instituição é muito grave. "É pior do que eu imaginava", disse Dinamite, que entrou para a história do futebol brasileiro por ser o primeiro ex-jogador de renome a assumir a presidência de um clube.O dirigente, de 54 anos, terá de se virar para pagar o salário de funcionários, jogadores e comissão técnica até o fim do ano, pois as receitas já estão comprometidas. "Será uma grande vitória se conseguirmos cumprir com as obrigações do clube (até dezembro)."Depois de arrastada briga judicial, Dinamite desbancou Eurico Miranda, que estava no poder do Vasco havia mais de 20 anos, e venceu as eleições. Assumiu um clube endividado (as cifras podem superar os R$ 250 milhões), mas não joga a toalha: aposta numa administração profissional para reerguer o Vasco, que, apesar dos problemas, vai completar com festa 110 anos de fundação no dia 21 de agosto.Nos primeiros dias à frente do Vasco, o dirigente encarou um ambiente ainda impregnado pelos charutos cubanos degustados pelo seu antecessor na sala da presidência, em São Januário. Mandou pintar as paredes do local, a fim de tornar o clima mais leve. Bem-humorado, Dinamite disse que brigará não apenas para Vasco, mas também pela vice-presidência do Clube dos 13, cargo que era ocupado pelo ex-manda-chuva vascaíno.Qual o panorama que você herdou da antiga diretoria?Pô... É uma situação muito complicada. O Vasco tem zero de caixa. Não vão entrar recursos para o clube até o fim do ano. Vamos tentar renegociar patrocínios. Até a cota de televisão já foi gasta este ano. Já foi tudo embora. Como sobreviver?Vou tentar renegociar a dívida (que gira em torno de R$ 250 milhões) para buscar parceiros. O contrato entre o Vasco e os patrocinadores, pelo que tenho visto no futebol brasileiro, é um dos mais baixos. Clubes da Série B recebem mais dinheiro que a gente. Os salários de funcionários, jogadores e comissão técnica estão em dia?Sim, mas ainda tem pela frente agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro. E não tenho recurso da televisão para pagá-los. Isso preocupa e, por essa razão, digo que não temos, no momento, nenhuma condição de fazer investimento para trazer jogadores. Já foi feita auditoria nas contas do Vasco?Não. Fizemos apenas um levantamento preliminar. Contratar uma empresa para esse serviço custa caro. Ficou uma coisa muita amarrada, muito ruim para o clube. Mas acredito na marca do Vasco para atrair parceiros e dar a volta por cima em breve. O que você pode falar sobre a venda do meia Philippe Coutinho, jovem talento do Vasco de apenas 16 anos, para a Internazionale de Milão, da Itália?A negociação praticamente já havia sido feita pela antiga diretoria. Ele já tinha assinado pré-contrato (com o clube italiano). Tido como uma grande promessa do Vasco, ele vai ficar aqui até completar os 18 anos e, quando sair (de São Januário), pode estar valendo muito mais. Qual a ambição do Vasco no Campeonato Brasileiro?O Vasco não tem o time dos sonhos, não é o que eu queria, o que eu desejava. Mas a realidade atual do clube não permite investir pesado. No entanto, não temo rebaixamento. A equipe não é excepcional, mas o Grêmio (abriu a rodada na liderança da competição) é? É competitivo. O São Paulo é mais regular, mas não tem nada de brilhante. A intenção da atual direção é arrumar a casa para a próxima temporada e, já no começo do Campeonato Carioca de 2009, montar um grupo forte?É por aí. A realidade é pior do que imaginávamos ao assumir. Já será uma grande vitória se conseguirmos cumprir com as obrigações do clube (pagamentos de contas e salários até o fim do ano). Você encontrou resistência por cortar os ingressos fornecidos de graça para as torcidas organizadas do time?Não. A realidade atual do Vasco não permite distribuir três mil ingressos a cada partida no Maracanã. Não quero radicalizar, mas não tem como jogar dinheiro fora. O torcedor que realmente ama o Vasco vai entender isso.O Eurico Miranda renunciou à vice-presidência do Clube dos 13. Você pretende manter voz ativa do Vasco na entidade como vice-presidente?Brigarei e quero esse posto. Entendo que seria um direito do Vasco, mas alguns clubes não concordam, e vai haver nova eleição. Temos apoio de Flamengo e do Botafogo. Roberto Horcades (presidente do Fluminense) também quer ser presidente (do Clube dos 13). Você é a favor de dirigente se perpetuar no poder (Eurico ficou na presidência nos últimos 8 anos)?Sou contra. Nossa proposta é de eleição e, no máximo, uma reeleição.

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