É raro, mas as zebras às vezes aparecem nas decisões

O Brasil de 50, a Hungria de 54, o Palmeiras na Copa do Brasil de 96 e o Fla em 2004 deixaram o ''título certo'' escapar

Bruno Deiro, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2010 | 00h00

O torcedor santista encara os duelos com o Santo André como um último show antes da confirmação do título estadual. O time da Vila passeou na primeira fase e despachou o São Paulo nas semifinais sem grande esforço. O favoritismo absoluto, no entanto, já se comprovou uma arma traiçoeira em decisões.

Os atletas do Santos lembraram durante a semana que o próprio Santo André era zebra na final da Copa do Brasil de 2004, contra o Flamengo, mas não se abalou. Venceu os cariocas em um Maracanã abarrotado para conquistar o título inédito.

Motivos não faltam para tanto otimismo no Santos. O ataque de futebol bonito e eficiente dos Meninos da Vila alcançou a média de 3,2 gols por jogo na primeira fase do Paulista, a melhor dos últimos 14 anos. A última equipe a fazer tantos gols no Estadual foi o Palmeiras de 1996, que tinha Rivaldo, Djalminha, Müller e Luizão. Naquele ano, o "ataque dos cem gols" teve média de 3,4 (102 gols em 30 jogos) e garantiu o título nos pontos corridos.

No mata-mata, porém, o Alviverde sucumbiu na Copa do Brasil. Sobrando no Estadual daquele ano, a equipe de Vanderlei Luxemburgo chegou à decisão com favoritismo absoluto, mas caiu diante do Cruzeiro e viu frustrado o projeto de disputar a Taça Libertadores do ano seguinte.

Lições históricas. Exemplos na história não faltam para deixar os garotos do Santos em alerta. Nas Copas de 1950 e 1954, Brasil e Hungria, respectivamente, mostraram que uma boa média de gols e goleadas em série não são garantia de troféu.

Até a derrota por 2 a 1 para o Uruguai, na final, o Brasil de 50 tinha feito 21 gols em cinco jogos (média de 4,2) e dado show diante da torcida, aplicando 7 a 1 na Suécia e 6 a 1 na Espanha. Com cartazes de campeão no estádio e jornais celebrando antecipadamente a conquista, os uruguaios deram o troco no Maracanazo.

Na Suíça, em 1954, a Hungria obteve o mesmo favoritismo e repetiu a história. Havia marcado incríveis 25 gols em quatro partidas (6,25 por jogo) e a decisão com a Alemanha, a quem tinha goleado por 8 a 3 na fase inicial, parecia mera formalidade. Mas o favoritismo desmoronou com a vitória dos alemães (3 a 2), no jogo eternizado como o "Milagre de Berna".

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