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Ecomotion começa para valer na Bahia

Os neozelandeses Steve e Jeanne Knowles têm um filhinho de sete meses. Os brasileiros Carlos e Ana Carolina Alzugaray têm um mais novo ainda: dois meses e meio. Nem por isso deixarão de participar da Ecomotion, considerada a maior corrida de aventura do Brasil, que começa de fato nesta segunda-feira (hoje houve apenas o prólogo) com 49 equipes, no litoral da Bahia. Os casais não só vieram para a Bahia como trouxeram os bebês. Um filho pequeno não é nada para quem já disputou o Ecomotion com o pulso quebrado. Steve, de 41 anos, conta que sofreu um acidente de carro três horas antes de embarcar para o Brasil no ano passado. Mesmo assim, decidiu disputar a prova e ainda terminou em oitavo lugar. Vale lembrar que as modalidades exigem pulso firme: trekking, mountain bike, técnicas verticais (rapel, escalada e afins), rafting e canoagem. No Brasil pela terceira vez, ele agora espera obter um resultado melhor com a simpática equipe SportzHUB.com. A mulher de 31, que costumava correr e apoiá-lo em todas as corridas, desta vez estará amamentando e cuidando do pequeno Daniel. Mas ele espera encontrá-los nos postos de controle mais acessíveis. E terá "bons pensamentos" por isso. Ana Carolina também não pode desgrudar de Caio porque precisa amamentar. E na Ecomotion não há meio termo, já que os participantes entram na disputa amanhã e só saem no final da semana. É competição o tempo todo, dia e noite, com pouquíssimas horas de sono diárias, quiçá minutos. Um especialista calcula que os integrantes das equipes de ponta dormirão em média 220 minutos durante todo o percurso de 435 quilômetros. Ou seja, Ana terá de ficar em Itacaré, litoral baiano, cuidando de Caio, "acompanhando pela internet e torcendo muito" pelo marido, da equipe Try On Landscape. Pelo jeito, não terá muito trabalho. Ela conta que o filhinho está "superbem, supertranqüilo". Que não chorou no vôo até Ilhéus, nem no trajeto de van até Itacaré. "Ele é muito zen. Tem que sentir o clima dos pais, saber onde está se enfiando." Ana conta que alterou seu treinamento quando estava grávida. Parou de pedalar porque é "perigoso" e passou a correr na água porque é mais suave para o bebê. Mas só parou mesmo com as atividades três dias antes do parto. E um mês depois, já estava na ativa. Só não encarou a Ecomotion por causa da amamentação. Mas não pretende ficar muito tempo parada por causa disso. "Logo vou começar com umas corridas curtas, de seis horas, porque aí dá para programar uma mamada." Assim como Caio, Daniel também parece bastante zen. Sábado, durante a cerimônia de abertura, passou o tempo quase todo dormindo nos braços da mãe. E não ouviu o especialista em canoagem da organização alertar os atletas sobre o perigo que mais os assustou. No Rio das Almas, os pescadores colocam fios de naylon presos de uma margem à outra, com anzóis pendurados. Haverá sinalização e os pescadores foram orientados a tirar as iscas neste período, mas ele avisou que não é garantido. Fez até um gesto de um anzol rasgando o pescoço. Bom frisar novamente que as provas não páram, seja dia ou noite, faça sol ou chuva. Ele também avisou que as quedas d´água serão bem mais emocionantes que na edição passada, especialmente para quem não usa coletes salva-vidas de qualidade. "Nós (da organização) chegamos a ficar 15 segundos embaixo da água com coletes de 12 quilos de flutuação. Vocês que usam coletes fininhos vão virar submarino." A cerimônia de abertura foi descontraída e alegre, com percussão e crianças carregando bandeiras dos países participantes: Brasil, Nova Zelândia, Colômbia, Uruguai, Estados Unidos, Espanha, França, Canadá, República Checa e Finlândia. Os checos causaram impacto e cochichos na galera geração saúde, pois todos exibiram orgulhosos suas latas de cerveja ao serem apresentados - não havia nenhuma bebida à venda no local. E os americanos, que vivem sendo vaiados mundo afora (notadamente na Olimpíada), foram aplaudidos como todos os outros.

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