Ale Cabral/CPB
Ale Cabral/CPB

Edênia garante tetra mundial paralímpico e Mizael protesta após bronze de Daniel

Brasil ocupa o sétimo lugar no quadro de medalhas da competição de natação, com quatro ouros, três pratas e três bronzes

João Prata, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2019 | 19h48

O Brasil fechou a quinta-feira com um ouro, uma prata e um bronze no Mundial Paralímpico de Natação que acontece em Londres. O destaque ficou por conta do tetracampeonato de Edênia Garcia nos 50m costas e do controverso terceiro lugar de Daniel Dias, que perdeu para dois atletas reclassificados recentemente. 

A brasileira ficou em primeiro lugar na classe S3 com o tempo de 56s71 e garantiu a quarta medalha dourada do País no torneio. A norte-americana Leanne Smith ficou com a prata (58s42) e a britânica Ellie Challis terminou com o bronze (58s91). A paulista Maiara Barreto terminou a prova em quarto lugar (1min00s03).

Edênia acumula no currículo o título mundial em Mar Del Plata-2002, Durban-2006, Eindhoven-2010. Essas três conquistas anteriores foram na classe S4. Recentemente, ela foi reclassificada pois sua doença havia comprometido ainda mais seus movimentos. A brasileira nasceu com atrofia fibular muscular, que afeta membros inferiores e superiores.

"Esta é a minha prova, eu sempre digo que minha estratégia é sair forte, nadar forte e chegar forte. É sempre assim e não deu outra. É meu quarto título mundial, estou bem feliz", disse a nadadora de 32 anos. "Aos 15 anos de idade [em Mar Del Plata 2002] talvez eu não soubesse o que representava ser campeã mundial e nem que eu pudesse chegar ao quarto ouro. Hoje, aos 32 anos, eu sei o que significa", comentou. 

Poucos antes do pódio de Edênia, Joana Neves conquistou a prata nos 50m borboleta da classe S5 com o tempo de 47s21. O ouro ficou com a italiana Arianna Talamona (45s62) e o bronze foi para a turca Sevilay Ozturk (47s35). 

PÓDIO CONTROVERSO 

A outra medalha brasileira do dia ficou com Daniel Dias, a 38ª dele em mundiais. Nos 50m borboleta, ele não conseguiu superar dois atletas que até pouco tempo eram de uma classe com menor comprometimento físico, mas foram reclassificados. O chinês Lichao Wang faturou o ouro e o ucraniano Yaroslav Semenenko terminou com a prata. 

Esses dois nadadores foram medalhistas no Rio-2016 na classe S6. Em função das novas regras implementadas pelo Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês), Yaroslav e Lichao disputam agora na S5, classe em que Daniel Dias está há 15 anos. O chinês nadou em 31s52 e bateu o recorde mundial da prova, enquanto que Semenenko fechou a prova em 33s22. Daniel terminou com o tempo de 34s44. 

“Queria nadar para 34s, estou feliz com o tempo, desde os Jogos Paralímpicos do Rio que não saía esta marca nos 50m borboleta, estou feliz com meu tempo. Não vou deixar de dar o meu melhor a cada prova, não vão ser as coisas da natação que vão atrapalhar minha performance. Vou sempre buscar o meu melhor, sempre”, comentou Daniel.

O presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Mizael Conrado, reclamou nas redes sociais mais uma vez sobre a reclassificação. "Muita irresponsabilidade e falta de compromisso com nosso esporte e com nossos atletas, estão transformando uma de nossas principais modalidades em uma grande bagunça repleta de injustiças", afirmou.

Após quatro dias de disputa, o Brasil ocupa o sétimo lugar no quadro de medalhas, com quatro ouros, três pratas e três bronzes. Grã-Bretanha e Itália lideram com 12 ouros cada, porém os italianos somam nove pratas, contra oito dos anfitriões. 

 

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