El brazo de Diós

Demorou um pouco, mas o futebol do Brasil deu as caras ? e em grande estilo. O jogo contra a Costa do Marfim, que se apresentava como o mais difícil da primeira fase, foi mesmo enjoado. Mas só até brilhar o talento do grande Luís Fabiano. Quando, aos 24 minutos do primeiro tempo, nosso camisa 9 mandou um tijolo quente para quase furar as redes defendidas por Boubacar, o ingrediente mais importante para uma seleção que quer ganhar a Copa apareceu: a confiança. Sem a confiança, o próprio Fabuloso não teria arriscado a jogada do segundo. Uma pintura que despertou espanto e encantamento, com uma pincelada de polêmica.

Análise: Marcos Caetano, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2010 | 00h00

Nossa atuação, sobretudo entre o primeiro gol e a parte final do jogo ? quando o futebol se transformou em tourada ?, me deixou entusiasmado, a ponto de me permitir uma pequena e divertida patriotada: até quando o negócio é fazer gol com a mão nós somos melhores do que a Argentina. O segundo gol de Luís Fabiano, que não foi com "la mano de Dios", mas com "el brazo de Dios", foi muito mais bonito do que aquele soquinho do Maradona contra os ingleses. Não é todo dia que vemos um gol comparável aos grandes momentos de Pelé. E o gol do Fabuloso evocou os chapéus do Rei contra o País de Gales e a Suécia, em 1958.

Uma última observação: o árbitro francês Stephane Lannoy parece ter ficado tão extasiado com o golaço do Fabuloso que até sorriu quando sinalizou para o jogador que tinha dúvidas sobre se ele usou ou não o braço. Nosso atacante sorriu de volta ? e ficou por isso mesmo. O francês deve ter pensado: não se anula uma obraprima dessas.

É COLUNISTA DO "ESTADO"

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