Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

'El Burrito' busca seu espaço no Corinthians

Martínez escolheu jogar em São Paulo para ficar perto da família e diz que tem raça e técnica

VÍTOR MARQUES, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2012 | 03h03

SÃO PAULO - Ao acertar o contrato com o Corinthians, Juan Manuel ‘El Burrito’ Martínez pegou referências com um companheiro de Vélez Sarsfield, o zagueiro Sebastián Dominguez, que atuou no Timão ao lado de Tevez e Mascherano em 2005. “Ele me disse que é a maior equipe do Brasil”, falou Martínez, em entrevista exclusiva ao Estado.

E agora o atacante quer brilhar com a camisa alvinegra. Ele evita comparações com Tevez e também o lugar-comum de que brasileiro gosta de jogador argentino porque é mais aguerrido. “De nada serve ser aguerrido se não jogar bem. Futebol se joga dentro do campo.” Leia a entrevista com o jogador, que espera chance no time titular de Tite domingo, contra o São Paulo:

 

Você é muito identificado com o Vélez Sarsfield e já disse que um dia gostaria de voltar ao clube. Como está sendo essa fase de adaptação no Corinthians?

Estou muito feliz aqui e creio que dia após dia vou me sentir mais cômodo, tanto dentro quanto fora do campo.

 

Quais foram suas primeiras impressões do Corinthians?

Eu já conhecia o Corinthians porque é uma grande equipe, em que jogaram vários argentinos e um deles é meu amigo, o Sebastián Domingues. Ele me falou como é o Corinthians. Aqui jogaram Tevez e Mascherano e o clube é conhecido em grande parte por isso.

 

O que o Sebá lhe disse sobre o  Corinthians?

Ele me disse que é a maior equipe do Brasil, que São Paulo é uma cidade grande, que o time tem muita torcida, e que quando eu chegasse aqui iria me dar conta do que é jogar na maior equipe do Brasil.

Muitas pessoas comparam o  Corinthians com o Boca Juniors. O que acha disso?

Creio que são clubes distintos. O Corinthians é a maior equipe, uma das maiores do Brasil. Na Argentina, o Boca tem o River. Em quantidade de torcedores também são diferentes, por causa do tamanho do Brasil. Nos torneios internacionais o Boca tem uma diferença em relação ao Corinthians pela quantidade de títulos, como nas Copas Libertadores. Nisso também se diferencia do River, que é uma equipe grande da Argentina, que ganha mais torneios locais. São duas histórias distintas.

 

E em relação ao Vélez, seu antigo clube, há alguma comparação com o Corinthians?

Não, são totalmente distintos quanto à torcida. O que se parece muito é o complexo de treinamento, nisso o Corinthians se parece muito com o Vélez.

Mas o modo como as equipes estão jogando, do ponto de vista tático, é similar, não?

A maneira de jogar é similar, não igual, mas tem uma ideia muito parecida com a do técnico Tite, que é o 4-2-3-1. Jogamos igual, mas, claro, os companheiros são outros. Então tudo vai mudando de acordo com os companheiros.

 

Você interessava ao Santos, ao Flamengo e a times da Europa , como Valencia e Genoa. Por que optou pelo Corinthians?

Sim, havia várias equipes e de diferentes mercados. Mas optei pelo Corinthians pela proximidade da Argentina, pelo momento do clube, campeão da Libertadores. Estar numa grande equipe e perto da família me influenciou.

 

O Santos chegou perto...

Falamos com o vice-presidente do Santos, mas eu disse que estava falando com gente do Corinthians e que depois lhe dava uma 

resposta. E dei: disse que não, que ia para o Corinthians.

 

Você teme comparações com Tevez?

Não temo, cada um faz seu caminho, sua história. Quero fazer o meu caminho aqui e que as coisas saiam da melhor maneira para o Corinthians e para mim e também com a torcida.

 

Tevez ganhou a torcida pela maneira aguerrida de jogar, que é uma característica do jogador argentino. Concorda com isso?

É uma característica do argentino ser aguerrido, mas o mais importante é jogar. De nada serve ser aguerrido se não jogar bem. Futebol é dentro de campo.

 

Quais são as principais diferenças entre o futebol argentino e o brasileiro?

Os estádios são maiores aqui. O contato físico na Argentina é maior, aqui marcam muito jogo de corpo. Na Argentina, para que te marquem uma falta tem de ser forte, lá se marca menos falta. Para mim aqui é melhor (risos).

 

Gostou de jogar no Pacaembu e ver a torcida do Corinthians?

É muito lindo e é sempre melhor começar como titular, como foi contra o Inter. Senti muito o carinho da torcida, e isso é muito importante para o jogador.

Você marcou um gol contra o Santos, mas o Corinthians perdeu o clássico. Não deve ter sido tão bom assim o primeiro gol...

Do lado pessoal foi bom, porque pude fazer meu primeiro gol pelo Corinthians. Mas não serviu muito, porque perdemos. Mas a equipe jogou bem e mereceu ganhar, mas por uma série de erros da arbitragem acabamos perdendo. Mas é do futebol: um dia se equivocam contra você, outro dia a seu favor.

Qual sua opinião sobre Neymar?

É um grande jogador. Quando jogou contra mim no Vélez nós o neutralizamos muito bem, mas é um jogador que faz a diferença.

 

Vai a campo contra o São Paulo?

Não sei, tenho de trabalhar esta semana para ser titular ou para ficar no banco. Penso em fazer o melhor para a equipe.

 

Quando crê que será titular?

Tem de perguntar a ele (Tite) (risos).

 

A posição na qual você vem jogando é parecida com a que jogava no Vélez?

É muito similar, mas creio que o meu rendimento ainda será melhor e vou me adaptar mais rápido.

 

Quando começaram a chamar você de Burrito, em alusão ao ex-jogador Ortega?

Começou quando eu jogava na base do Vélez, com 13 anos, faz muito tempo. Que te comparem com um jogador tão importante quanto Ortega é lindo.

 

O que pensa de disputar o Mundial de Clubes?

Estamos nos preparando para ganhar todas as partidas do Brasileirão e, quando chegar o Mundial, em ganhar a primeira partida para passar à outra fase, sabendo que é muito difícil. O time mostrou isso na Libertadores, sendo campeão invicto.  

 

Sonha em voltar a defender a seleção argentina?

Essa é minha ideia, jogar bem no Corinthians para voltar à seleção.

 

Na Copa do Mundo?

Como disse, é essa a minha ideia, mas primeiro preciso jogar bem no Corinthians para voltar à seleção, depois veremos, mas falta muito.

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