El Loco mundo

No folclore do futebol, há muito tempo se diz que tem coisa que só acontece com o Botafogo. Em geral, em sentido negativo, maldade dos adversários contra um clube cheio de superstições. A frase se mantém atual. Fatos incomuns continuam a aparecer pelas bandas de General Severiano - ou, melhor, lá pelo Engenhão -, só que agora são admiráveis. Até substituições de jogadores contundidos no primeiro tempo, incidentes fortes para tirar a confiança de qualquer um, fazem o time melhorar, abrem caminho para vitórias e deixam a torcida sonhar com o título de 2010. A mesma torcida que dias atrás pegava no pé da equipe e se estranhava com Joel Santana.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2010 | 00h00

A sorte do Botafogo começou a virar, no clássico de ontem com o São Paulo, com a saída forçada de dois Marcelos - o Cordeiro e o Mattos, antes do intervalo. Com ambos em campo, a intenção era ter conjunto consistente na marcação, a ponto de frear a empolgação de um rival que se apresentava com três triunfos consecutivos. Sem os dois, mas com Edno e Caio, o alvinegro ganhou velocidade, criou mais, resolveu a partida com os gols na etapa final. Caio participou da jogada do primeiro, Edno marcou o segundo e fez seu time encostar nos líderes. O destino às vezes dá uma força tremenda para garantir o sucesso.

Não é só o Imponderável de Abreu quem resolve no Botafogo. Tem outro Abreu decisivo - o uruguaio El Loco. O atacante cabeludo e irrequieto ficou meio encostado, depois de voltar da África do Sul recompensado com o quarto lugar de sua seleção. A animação com a trajetória inusitada da Celeste Olímpica murchou rapidinho, e virar opção de banco não o deixou nem um pouco feliz. El Loco ficou na dele, devagar retomou espaço e mostrou a Joel que poderia ser útil ao marcar, em cima da hora, o gol do 1 a 0 sobre o Santos, no meio da semana.

Joel não começou ontem no futebol, percebeu que o gringo estava motivado e resolveu colocá-lo desde o início diante do São Paulo. Também nisso se deu bem. El Loco teve participação importante, correu pra cá e pra lá, escancarou a defesa paulista e de lambuja abriu o placar. O time que flertava com a crise agora manda piscadelas para a taça. Atrevimento? Sim, mas com sustância, como dizia a Dona Sebastiana, que ajudou a me domar e criar, quando eu era um garoto da pá virada no Bom Retiro. Afinal, são oito vitórias, um empate e uma derrota nas últimas dez rodadas. O Botafogo pode não ter muito estofo - e por acaso os que estão imediatamente acima são muito melhores? Equilibrou tudo.

O mundo da Série A está mais louco do que nunca, sobretudo após a vacilada do Corinthians em casa contra o Grêmio, da derrota do Flu em cima da hora em Goiânia e de mais uma vitória do Cruzeiro como visitante - os 2 a 1 de ontem no Avaí, em Florianópolis. E seria eu a quebrar a expectativa dos alvinegros?!

Verdes... de raiva. Quem anda louca da vida é a torcida do Palmeiras. O time entrou em parafuso, só dá bola fora, perdeu de vista o bloco principal e por enquanto está na zona do lusco-fusco, o limbo, onde em geral ficam aqueles sem cacife para brigar por destino melhor, mas também com um pé na lama. Mais algumas vaciladas e Felipão e seus jogadores podem enfiar-se no pelotão da rabeira.

O desempenho no 0 a 0 com o Vasco foi nova sucessão de erros e de intranquilidade. Lances esporádicos de qualidade ficaram perdidos no meio do festival de caneladas, e mais raras foram as situações de gol. Vítor, Luan, Tinga, Márcio Araújo, Valdivia (que entrou no segundo tempo), Danilo, Rivaldo... o palestrino poderia escolher quem quisesse, conferir nas estatísticas e ver que esse perdeu bolas com a naturalidade dos pernas-de-pau. Kléber, incansável, e Ewerthon, que lutou e cansou, destoaram.

O Palmeiras tem só dois caminhos a seguir até o final de outra temporada desperdiçada. O primeiro é evitar o vexame supremo de voltar para a Série B, o que pode ocorrer, a persistir seu futebol catastrófico. O segundo é compensar na Sul-Americana, o que parece difícil nessa toada.

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