'Ela é que foi mal. Eu fiz o meu trabalho'

Primeira mulher do país a ganhar ouro em mundiais

Amanda Romanelli, O Estadao de S.Paulo

15 de março de 2010 | 00h00

Como é ser campeã mundial?Estou muito contente, porque é um sonho realizado. No salto com vara é muito difícil ser campeã, porque a Yelena sempre estava saltando bem, acima de todas. Mas sonhei com isso. É um resultado que coroa um trabalho de anos. Tem sido difícil, mas tem o lado bom, que é o resultado. Isso é muito legal.

Você trabalha com o Vitaly Petrov e ele deve estar dividido: contente por você, mas preocupado com a Isinbayeva.

O Elson me falou que ele está chateado pelo o que houve com a Yelena, mas meu resultado também veio graças ao trabalho dele. Ainda não conversamos, mas vou mostrar a medalha e dizer que ele faz parte dela. Essa medalha não é só minha e do Elson.

Incomoda o pensamento de que você só foi campeã porque a Isinbayeva não fez o esperado?

Não me incomoda, porque competição é competição. Eu estava bem, as outras também. Ela é que foi mal, né? O que eu posso fazer? Eu fiz o meu trabalho. Não fui campeã só porque a Yelena não foi bem. Fui campeã porque fiz uma boa marca, saltei 4,80 m, coisa que poucas meninas conseguiram. Foi uma competição forte.

Como é ser a primeira brasileira a ganhar uma medalha de ouro em Mundiais?

É prova de que o atletismo feminino do Brasil está crescendo. Teve houve o bronze da Keila (Costa, do salto em distância). Foram duas medalhas de duas mulheres. Isso é bom para mostrar que estamos crescendo, ganhando espaço.

Você parecia muito confiante, passou de primeira nos 4,80 m...

Mas aquele salto foi no susto!

No susto?

É! No começo da competição estava nervosa - o primeiro salto é sempre o pior, porque é o que mostra como você está na competição. Eu sabia que tinha de saltar firme, certa do que iria fazer. Mas, quando passei dos 4,50 m, me tranquilizei, tanto que passei os 4,60 m e 4,70 m de primeira. Nos 4,75 m eu fiz tudo certo, sabia que ia passar, e consegui no último. Aí, nos 4,80 m, deixei o salto acontecer, por isso falei que foi no susto... É bom deixar a cabeça livre e fazer o que o corpo está treinado.

A conquista deste ouro é um marco, até pelo o que aconteceu em Pequim e Berlim?

Todo mundo via que eu tinha condições de saltar e neste ano consegui a consistência que vinha buscando há anos. Acho que talvez não fosse meu tempo, a minha hora de saltar. Não era Pequim, nem Berlim, era aqui. Ainda bem que saiu e com uma medalha de ouro, porque é uma responsabilidade que eu ganho daqui para frente. Eu precisava estar mais preparada e acho que agora estou.

E agora, com essa responsabilidade, como você vai para a temporada ao ar livre?

Para mim não muda nada. Essa competição já passou. Fiz bons resultados na temporada indoor e tenho de trabalhar para que isso continue.

Você volta ao Brasil amanhã, dia do seu aniversário, com um recorde sul-americano e um ouro. Precisa de mais presentes?

São os maiores presentes que eu poderia ganhar. Mas faz tempo que estou longe de casa, um mês e meio. Quero chegar logo, comemorar com a minha família. / A.R.

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