Eldorado-Brasilis: regata de abertura

Os veleiros da regata Eldorado-Brasilis estão alinhados no pier do Iate Clube do Espírito Santo. Os tripulantes passaram o dia, hoje, fazendo os últimos acertos nos barcos para a largada, sábado. Amanhã, a partir das 16h, os participantes da primeira grande competição de vela oceânica do ano farão a Regata de Abertura ou Passeio a Taputera, pelas baías de Camburi e Vitória, passando pelas praias principais e o porto. O objetivo é mostrar os barcos para a população de Vitória. O capitão-de-corveta Ricardo Dondeo, comandante do ?Quiricomba/Opportunity", veleiro de 41 pés do Grêmio da Escola Nava, fez hoje um briefing para os nove tripulantes, discutindo a logística da regata. Todos os detalhes foram checados para a permanência de, no mínimo, 9 dias no mar. "Nada pode ser esquecido: filtro solar, gás para o fogão, água, toalhas, fósforos, material de limpeza, comprimidos para enjôo, material de primeiros socorros, pilhas, roupa de cama, barras de gelo, combustível, etc. E shampoo Johnson que é o único que faz espuma com água salgada", diz. O aspirante Roberto Mendes, no quarto de intendência da Escola Naval, 21 anos, participará este ano, pela primeira vez da Eldorado-Brasilis e reconhece: "Esta é a oportunidade para colocar em prática, em uma situação real, difícil, tudo o que aprendemos. Estou empolgado". Roberto Mendes mostra alguns dos artifícios do veleiro. O fogão de duas bocas, por exemplo, funciona como um pêndulo, oscilando para os dois lados. Assim, se o veleiro estiver balançando, a comida não derrama das panelas. Os banhos são tomados na popa do barco com água retirada do mar. Há diversos tipos de coletes salva-vidas e dois botes para a tripulação. "Os oficiais dão grande ênfase à questão da segurança durante todo o curso. E nas competições", explica o aspirante Roberto Mendes. "Nunca fiz uma escolha tão acertada na minha vida quando decidi entrar na Escola Naval. O curso é excelente, a estrutura da escola é perfeita, você dispõe de tudo o que precisa e ainda veleja". No final do ano, quando se formar, Mendes fará uma viagem de volta ao mundo com o navio "NE Brasil", com toda a turma. Na regata, oficiais e aspirantes dividem todas as tarefas. Durante os 9 ou 10 dias de competição, os quatro oficiais e seis aspirantes do Grêmio Naval vão se revezar em três equipes em turnos de quatro horas. Há oito camas. Nunca todos os tripulantes estarão dormindo ao mesmo tempo. Durante o plantão noturno, por exemplo, o fundamental é fiscalizar a rota e cuidar do funcionamento de todos os equipamentos. Com 108 embarcações, o Grêmio Naval da Marinha, sediado no Rio de Janeiro, é um dos maiores iate clubes do país. Os futuros oficiais da Marinha aprendem a trabalhar com veleiros desde o primeiro ano. O "Quiricomba/Opportunity", de fabricação sul-africana, tem uma história curiosa. Ele entrou ilegalmente no Brasil e foi apreendido pela Receita Federal. E, depois, entregue para a Marinha que fez a reforma com apoio do Opportunity e passou a competir em diversas regatas de vela oceânica. A discussão principal, entre os velejadores, continua sendo a situação meteorológica. O vento sueste deve continuar soprando sábado, impulsionando os barcos. Já no domingo, a previsão é ventos no sentido nordeste mas fracos. Se confirmada a previsão, os veleiros andarão pouco nos dois primeiros dias.

Agencia Estado,

17 de janeiro de 2002 | 16h34

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