Eleição apressou acordo para dar isenção de impostos à Fifa

Jerome Valcke admite ter vindo às pressas ao Brasil fechar o acordo por temer problemas o período eleitoral

JAMIL CHADE, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2010 | 00h00

A Fifa, a CBF e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva aceleraram o processo para garantir que o acordo de isenção fiscal para a Copa de 2014 fosse fechado antes do início do período eleitoral. Na semana passada, o secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, fez uma visita relâmpago ao Brasil para fechar um entendimento com o governo brasileiro.

"Fui antes das eleições, que impedem mudanças (na lei)"", explicou Valcke ontem ao Estado. Para isso, ele interrompeu seus trabalhos na África do Sul.

A isenção tributária, que ainda vai passar pelo Congresso neste mês, valeria de janeiro de 2011 a 31 de dezembro de 2015, e beneficiará também a rede de televisão que terá os direitos de transmissão da Copa. Alguns deputados querem saber exatamente o que votarão. O presidente da Fifa, Joseph Blatter, foi, inclusive, convidado a se explicar ao Congresso sobre os gastos que o País terá.

A isenção fiscal era uma exigência da Fifa desde 2007, quando a entidade concedeu ao Brasil o direito de organizar o Mundial.

Pelas estimativas da Fifa, o Mundial em 2014 será o mais lucrativo da história e irá colocar nas contas da entidade volume quase 100% superior ao que a Copa da Alemanha gerou em 2006. A entrada de recursos com o Brasil será ainda US$ 600 milhões a mais do que com a África.

Para o período 2011-2014, a Fifa prevê que irá ter renda de US$ 3,8 bilhões. Mais de 95% disso vai ser gerado com o Mundial no Brasil. Bilionária, a Fifa também investirá mais no Brasil que na África do Sul. Segundo o orçamento, a entidade gastará com o evento no País cerca de US$ 1,38 bilhão, US$ 300 milhões a mais que na África. A operação de TV será o segundo maior gasto, com US$ 228 milhões.

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