Eleição define relação entre clubes e CBF

Disputa pela presidência opõe amanhã o atual presidente, Fábio Koff, e Kléber Leite, candidato de Ricardo Teixeira

, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2010 | 00h00

Os bastidores do futebol brasileiro vivem um dos momentos de maior expectativa da temporada. A eleição para presidente do Clube dos 13, marcada para amanhã, na sede da entidade, em São Paulo, nunca foi tão concorrida e poucas vezes despertou tamanho interesse. No centro da disputa, a administração de um orçamento que deve se aproximar dos R$ 2 bilhões nos próximos três anos e uma queda de braço que envolve a entidade, os clubes e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). De um lado, a situação é representada pelo atual presidente, Fábio Koff, que tem como adversário o empresário Kléber Leite.

A pouco mais de 24 horas da votação, Koff aparece com ligeiro favoritismo. No cargo desde 1996, o gaúcho fez as contas e disse acreditar que tem a seu lado entre 12 e 15 clubes. No total, 20 agremiações podem votar. "O que está em jogo nessa eleição é a própria existência do Clube dos 13", comentou o dirigente. "Quando assumimos, tínhamos uma receita de US$ 10, 4 milhões (R$ 18 milhões). Hoje está em R$ 600 milhões por ano e vamos aumentá-la."

A administração atual, porém, não conseguiu livrar a entidade do rótulo de simples gerenciadora do dinheiro vindo dos direitos de televisão. Essa condição fortalece a argumentação do grupo que defende a criação de uma liga nacional de clubes que, entre outras atribuições, cuidaria da divisão das cotas de transmissão. "Participamos também da elaboração de leis e projetos. Mas concordo que nossa atuação deve ser expandida. A entidade pode atuar de forma mais incisiva", observou o dirigente.

Koff estruturou sua chapa com a presença de 12 presidentes de clubes. O destaque fica para as quatro vice-presidências, que trazem Patrícia Amorim (Flamengo), Juvenal Juvêncio (São Paulo), Vitorio Piffero (Internacional) e Marcos Augusto Malucelli (Atlético-PR).

Forte cabo eleitoral. Na oposição, a principal força de Leite está em seu cabo eleitoral. Trata-se do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. Após a conquista do direito de organizar a Copa do Mundo de 2014, até mesmo seus adversários políticos concordam que Teixeira se transformou em uma das figuras mais fortes e prestigiadas do cenário esportivo e político brasileiro.

E Leite conta com essa força de bastidores da CBF para conquistar e reverter votos. Um de seus adversários, porém, pareceu ser o curto espaço de tempo que teve para fazer campanha. Ao contrário do que diz o grupo de Koff, Leite garante que não pediu para que a eleição fosse antecipada de novembro para amanhã. "Isso (a antecipação) é conversa. Você acha que pediria para que algo fosse feito contra mim?", questiona. "Tive pouco mais de 15 dias para fazer uma campanha contra alguém que teve mais de 15 anos."

Dentro do pequeno colégio eleitoral, o principal apoio à chapa de Leite é o do Corinthians, que tem seu presidente, Andrés Sanchez, como titular de uma das vice-presidências. As outras três são ocupadas por Syd de Oliveira (Goiás), Maurício Assumpção (Botafogo) e Vilson Ribeiro Andrade (Coritiba).

O sistema de votação é aberto, ou seja, cada um dos representantes dos clubes terá de manifestar publicamente o seu voto. A primeira chamada está marcada para às 14 horas. Em caso de empate, a vitória fica com o candidato mais velho. Nesse critério, Koff leva vantagem.

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