Anja Niedringhaus/AP
Anja Niedringhaus/AP

Eleição na Fifa dá trégua ao Brasil

Ocupado em busca da reeleição, Joseph Blatter deixa em 2.º plano os problemas do evento, que a entidade vê emperrado por causa de barganhas políticas

JAMIL CHADE, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2011 | 00h00

GENEBRA - A trégua da Fifa, que tem resistido a cobrar o Brasil com mais ênfase sobre obras e preparativos gerais para a Copa do Mundo de 2014, tem data para acabar.

Totalmente concentrado na disputa por mais uma reeleição, o presidente da entidade, Joseph Blatter, sairá das urnas no próximo dia 1.º provavelmente eleito e livre para, de uma vez por todas, exigir providências que, neste momento, estão em segundo plano para o dirigente.

Na Fifa, é clara a percepção de que barganhas políticas permearam as decisões sobre a realização do Mundial. Porém a ordem é a de não entrar em polêmicas públicas para não afastar patrocinadores e não manchar ainda mais a imagem internacional da entidade, sempre às voltas com denúncias de corrupção.

O silêncio esconde um mal-estar profundo estabelecido entre Fifa, CBF e governo brasileiro.

A situação que hoje enfrenta São Paulo, o Maracanã, estádios por todo o País e a falta de aeroportos é uma preocupação entre assessores de Blatter.

Todos apontam para a mesma direção: as decisões do Brasil sobre a escolha das sedes para a Copa de 2014 foram baseadas em política, não em percepções técnicas ou financeiras.

Há quatro anos, quando a Fifa anunciou o Brasil como sede, o pelotão de políticos (eram nove governadores) que desembarcou em Zurique causou impacto negativo na entidade - e a sensação de que não seria tarefa fácil fazer o Mundial sair do papel.

Até hoje, por exemplo, a Fifa questiona o motivo pelo qual Manaus foi escolhida, já que a cidade precisa construir tudo. Enquanto isso, Belém (Pará), que ao menos tinha rede de hotéis e aeroporto, foi descartada.

Lula. Nesse processo, atores envolvidos na escolha são unânimes em afirmar que a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi central no jogo político da Copa. "Lula foi o pivô de muitas das decisões", afirmou um ex-diretor da Fifa, que aceitou falar ao Estado, sem ter seu nome revelado. "A pressão política foi muito grande e alianças contaram mais que qualquer outra coisa", afirmou.

Lula, segundo os relatos, se envolveu diretamente na negociação de quais seriam as sedes, culminando no estádio do Corinthians, que nem sequer começou a ser construído.

A relação entre Fifa e Lula azedou. O antecessor de Dilma Rousseff adotou uma posição de afastamento. Para a entidade, ficou claro que acordos e parcerias teriam de envolver os políticos.

A partir de 2009, a relação entre Lula e Blatter estava deteriorada a ponto de o ex-presidente resistir a pedir o voto do suíço na candidatura do Rio à Olimpíada de 2016 - o presidente da Fifa é membro do Comitê Olímpico Internacional (COI).

No ano seguinte, a tensão voltou a reinar quando Lula desistiu de assistir à final da Copa do Mundo da África do Sul, o que a Fifa considerou uma desfeita.

Para piorar, pouco depois Lula sugeriu que houvesse rodízio na presidência da CBF - comprando briga com o presidente da confederação, Ricardo Teixeira, no cargo desde 1989.

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