Eliminação estoura crise no Morumbi

Rivaldo, que ficou no banco de reservas, criticou a postura do técnico Carpegiani, após a derrota para o Avaí

Bruno Deiro, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2011 | 00h00

O São Paulo ficou oito anos sem disputar a Copa do Brasil e terá de esperar mais um pouco para buscar o título inédito. Com uma atuação apática, o time de Paulo César Carpegiani perdeu de virada para o Avaí em Florianópolis, por 3 a 1, e foi eliminado com justiça nas quartas de final. De quebra, o adeus com ares de vexame esquentou de vez o clima no clube do Morumbi.

Mesmo apoiado pela torcida são-paulina, Rivaldo foi deixado no banco por Carpegiani, que optou pela entrada dos jovens atacantes Henrique e Willian José na etapa final. Aos 39 anos, o veterano meia não poupou o treinador, cujo cargo fica bastante ameaçado - há quase duas semana, caiu em casa no Paulista na derrota por 2 a 0 para o Santos. "Foi uma vergonha, com todo o respeito ao Avaí. Não podíamos ter perdido um jogo desses. Nunca vi oportunidade tão fácil de ser campeão" disse Rivaldo. "Me senti humilhado e foi uma falta de respeito do treinador em relação a mim (não colocá-lo em campo), pois poderia ajudar muito com passes. Infelizmente, ele não me deu oportunidade."

Ele evitou, porém, falar sobre a situação do técnico no clube. "É decisão da diretoria, que tem de analisar o trabalho dele e tomar a decisão. Eu tenho contrato e vou continuar até dezembro, se Deus quiser."

No vestiário, Carpegiani tentou se esquivar da polêmica, mas deixou escapar sua irritação. "Cada um tem um caráter e no momento certo é que a gente conhece as pessoas", disse o técnico. Ele atribuiu a derrota à juventude da equipe e diz que o time pagou pelos gols perdidos na vitória por 1 a 0 no Morumbi.

Noite para esquecer. O São Paulo, que até então havia tomado um gol em 6 jogos na competição, esteve irreconhecível na defesa. Inseguro atrás, teve o meio-campo esvaziado e ficou na dependência de um ataque inócuo. Tudo isso sob o comando de um técnico confuso, que colocou Marlos no intervalo e tirou o meia perto do fim para a entrada de Willian José. Antes, porém, mandou o volante Wellington para o aquecimento, mas mudou de ideia. Mesmo Lucas, que voltou após 5 jogos, teve atuação apagada. "Foi uma noite para esquecer", reconheceu Rhodolfo.

O jogo iniciou equilibrado, mas o São Paulo abriu vantagem cedo. Aos 15, Dagoberto cruzou na segunda trave e Casemiro entrou sozinho para marcar de cabeça. Com a vantagem ampliada, o time relaxou e levou gol no minuto seguinte. Aproveitando bobeada da zaga tricolor, Estrada cruzou na área e William se antecipou a Alex Silva para marcar. Animado, o Avaí não demorou a virar. Aos 30, em cobrança de escanteio, a bola foi mal rebatida e sobrou para Bruno cabecear sozinho: 2 a 1. Na saída para o vestiário, Dagoberto reclamou do excesso de individualismo. "Temos de trabalhar a bola. Se cada um quiser resolver sozinho não vai dar", disse o atacante.

O São Paulo, no entanto, mal teve tempo para mudar de estratégia após o intervalo. Bastaram 27 segundos para que, em mais um cruzamento mal rebatido, a bola sobrasse para Marquinhos Gabriel dominar e fazer o terceiro do time de Florianópolis.

O que era insegurança virou afobação, e o São Paulo repetiu erros recentes. Jean teve a chance cara a cara, mas repetiu a péssima pontaria dos últimos jogos e chutou para fora, desperdiçando oportunidade clara. O time de Carpegiani ensaiou uma reação, mas esteve mais perto de levar o quarto gol na Ressacada. Até o fim o desespero minou as tentativa são-paulinas e a melancólica eliminação foi inevitável.

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