Em 1934, as primeiras 'traições'

Itália foi campeã mundial com vários jogadores naturalizados por incentivo do ditador Mussolini, entre eles o brasileiro Filó

, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2010 | 00h00

Jogador nascido em um país defender outro em Mundiais é algo tão antigo quanto a história das Copas. Nos primórdios, isso acontecia em número bem menor do que atualmente. Mas, de certa forma, o impacto era até pior, pois o atleta podia servir a duas pátrias diferentes - não na mesma edição do evento, claro.

Em 1930, Monti, meio-campista nascido em Buenos Aires, foi vice-campeão com a Argentina. Quatro anos depois, sentiu o gosto de ganhar a taça, mas já com a camisa da Itália. Ele havia se naturalizado em 1932, incentivado pela disposição do fascista Benito Mussolini de montar uma squadra Azzurra imbatível.

Monti é um dos cinco jogadores que, segundo a Fifa, participaram de Copas por dois países diferentes - o artifício foi proibido pela Fifa após o Mundial de 1962. O mais famoso deles é Puskas, comandante da Hungria de 1954 e integrante da Fúria espanhola em 1962. A lista tem um brasileiro: Mazzola, o campeão em 1958 que virou Altafini na Itália de 1962. Santamaria foi uruguaio em 1954 e espanhol em 1962. Mais recentemente, Prosinecki defendeu a Iugoslávia em 1990 e a Croácia em 1998 e 2002. Nesse caso, porém, deve-se considerar a dissolução da Iugoslávia.

Brasileiro campeão. No time italiano vencedor de 1934 a história registra o primeiro brasileiro campeão do mundo. Um ex-corintiano chamado Filó, que na Itália passou a ser Guarisi. Filó jogou pela seleção brasileira, mas não em Copas, assim como o argentino Demaria, que foi seu companheiro naquela Azzurra.

A Itália, aliás, sempre gostou de levar "estrangeiros"" para Mundiais. Em 1938, por exemplo, quando também foi campeã, tinha o uruguaio Andreolo em suas fileiras; em 2006, Mauro Camoranesi, um argentino de Tandil, estava entre os italianos que levantaram a taça.

Uma das maiores zebras das histórias das Copas teve como protagonista um jogador de dupla nacionalidade. Em 1950, Joe Gaetjens fez o gol da vitória dos Estados Unidos por 1 a 0 sobre a Inglaterra. Ele nasceu no Haiti.

A dupla nacionalidade de certa forma ajudou a evitar algumas injustiças. Não fosse isso Just Fontaine não teria se tornado o maior artilheiro de uma edição de Mundial, com os 13 gols que marcou em 1958. O atacante nasceu no Marrocos, que naquela época não tinha a menor chance de ir a uma Copa. Eusébio, nascido em Moçambique, também recebeu sua oportunidade, na seleção portuguesa de 1966.

A mesma sorte não teve o africano George Weah, eleito melhor jogador do mundo em 1995. É que ele nasceu na Libéria! / A.L.

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