Em 1994, Vanderlei estreou marcando ritmo e acabou levando a prova

Fundista fez papel de coelho em sua primeira maratona, na França, mas se empolgou e terminou em primeiro

Amanda Romanelli, O Estado de S. Paulo

05 de abril de 2014 | 16h58

SÃO PAULO - Dez anos antes de conquistar a histórica medalha de bronze na maratona da Olimpíada de Atenas, em 2004, começou de maneira acidental a carreira de Vanderlei Cordeiro de Lima nos 42,195 km. Foi em outubro de 1994, em Reims, na França, que o paranaense venceu a primeira prova na distância. Um resultado surpreendente para quem estava lá para ser coelho.

A caminho de completar 45 anos (faz aniversário em 4 de julho), Vanderlei lembra de sua vitória como um "incidente bom" – o que, há de se convir, não é algo único em sua carreira. Afinal, a sua principal conquista ocorreu depois do ataque do padre irlandês Cornelius Horan, em Atenas, em meio a uma disputa em que ele também estava à frente.

Vanderlei lembra que, em 1994, ainda iniciava o seu período de transição para provas mais longas. "Eu estava na Europa para um período de treinamento e corria provas de, no máximo, 21 km (meia maratona)", lembra. "Na última semana de treinos, antes do retorno para o Brasil, fui chamado para ser coelho da Maratona de Reims. Como não tinha mais nenhum compromisso, aceitei."

O combinado era que Vanderlei corresse exatamente a distância mais longa para a qual se preparava – ele nem sequer fazia treinos específicos para a maratona àquela altura da carreira. "Eu deveria sair da prova no 21.º quilômetro." Um outro coelho, o belga Vincent Rousseau, seria o responsável por guiar o pelotão principal até o 30.º quilômetro da corrida.

Para o brasileiro, a prova surgiu como uma boa oportunidade de fazer um treino de 1h30. Mas, quando passou o 21.º, tinha corrido apenas 1h05. "Então pensei: vou correr só mais cinco quilômetros."

Inteiro, apesar do desgaste físico e psicológico de quem é obrigado a manter a dianteira, Vanderlei passou a marca dos 25 quilômetros. "Como estava bem, decidi ir até o quilômetro 30 porque pegaria o carro da organização até o hotel", recorda o fundista, referindo-se ao transporte garantido pela organização aos que não concluem o percurso (sejam coelhos ou não). Mas Vanderlei acabou ultrapassando também Rousseau, que parou no local combinado, e seguiu adiante.

"Aí decidi ir até o quilômetro 35. Quando cheguei, não via mais nenhum adversário. Fui me empolgando, me empolgando e venci a prova com uma grande diferença para o segundo colocado." O tempo final foi de 2h11min06, o que lhe garantiu a liderança do ranking brasileiro naquela temporada.

Vanderlei e seu técnico, Ricardo D’Angelo, planejavam a entrada no mundo das maratonas para dali a dois anos, mas a performance em Reims mudou os planos. "Foi a partir daquele momento que eu vi que realmente tinha mais aptidão para maratonas. Com esse incidente bom, minha história foi antecipada. E deu no que deu."

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